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trânsito

Especialistas desconfiam dos dados

Apesar de Brasília aparecer como a cidade com o maior número de infrações e ser uma das que têm mais mortes no trânsito, há casos que não confirmam essa estatística. São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Salvador, por exemplo, estão entre as cinco primeiras capitais que mais multaram, por outro lado, tiveram índices reduzidos de mortes no trânsito. Nesses casos, seria possível afirmar que a multa funcionou, mas especialistas levantam outras hipóteses.

É difícil, segundo profissionais da área, fazer uma associação entre multas e mortes já que os números de autos de infração expedidos não são proporcionais à quantidade de veículos ou de agentes de trânsito – os dados variam muito de capital para capital.

Flagrante

A coordenadora do Núcleo de Psicologia do Trânsito da Universidade Federal do Pa­­raná, Iara Thielen, lembra que os números refletem apenas aquilo que foi possível flagrar. Há, porém, um número maior ainda de infrações não registradas. "Não tenho a menor dúvida em relação à importância da fiscalização. E são os próprios motoristas (multados ou não) que afirmam isso. No entanto, a multa sozinha não é capaz de despertar nas pessoas o desejo de transformação, de um comportamento mais seguro no trânsito", diz.

Controle

Na opinião do coordenador do curso de Arquitetura e Ur­­banismo da Pontifícia Uni­­ver­­sidade Católica do Paraná (PUCPR), Carlos Hardt, mesmo que os motoristas fossem extremamente disciplinados, haveria necessidade do controle do tráfego para que a situação se mantivesse boa.

"Não me parece apropriado inferir que o trabalho dos agentes é bom ou não, apenas por esses valores. O agente tem um papel importante na punição das transgressões, tendo resultados efetivos na aplicação das sanções previstas em lei", explica Hardt.

Um caso interessante é o da Bélgica, segundo o professor da Universidade de Brasília e presidente do Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito, David Duarte Lima. Em 1950, o país tinha uma frota de aproximadamente 500 mil veículos; no ano passado, a frota ultrapassou seis milhões e, mesmo assim, teve um número de mortos inferior ao de 1950. "Eles conseguiram isso com programas de segurança de trânsito, com melhoria das vias, com inspeção de segurança veicular", lembra.

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