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violência

Motociclista, a principal vítima

Número de mortes de condutores de moto aumentou 505% no Brasil, de 1998 para 2008

Veja os dados da violência no trânsito no Brasil |
Veja os dados da violência no trânsito no Brasil (Foto: )

Enquanto a quantidade de mortes em acidentes de trânsito cresceu 23,9% – em dez anos no Brasil–, o número de motociclistas mortos nessas condições teve um salto de 505% no mesmo perío­­do. Os dados divulgados ontem, que fazem parte de uma pesquisa do Instituto Sangari, mostram que está havendo uma explosão de violência nas ruas envolvendo motociclistas. Entre 1998 e 2008, período analisado pelos pes­­quisadores, 70,6 mil motociclistas morreram em acidentes de trânsito, a maioria jovens.A pesquisa foi feita com base em declarações de óbito de todo o país. As informações passaram por um ajuste porque muitos dos registros não especificavam as circunstâncias dos óbitos, o que poderia distorcer as análises. Segundo o coordenador do estudo, o sociólogo Julio Jacobo, se a quan­­tidade de mortes envolvendo motociclistas fosse retirada das estatísticas, haveria redução na quantidade de acidentes de trânsito.

O risco de um motociclista morrer no trânsito é 14 vezes maior que o de um ocupante de automóvel. Segundo Jacobo, a probabilidade aumentou devido à falta de fiscalização e de campanhas educacionais, ao aumento da frota e ao fato de o Código de Trânsito Brasileiro ter deixado de proibir a circulação de motos entre as faixas ocupadas por veículos.

Perdas

Nos diversos tipos de acidentes de trânsito, 369.016 pessoas perderam a vida entre 1998 e 2008 no país. No período, o número de mortes de ocupantes de automóveis mais que duplicou, enquanto o de motociclistas quadruplicou. Já o número de mortes de pedestres caiu drasticamente, mas ainda assim continua liderando as estatísticas. Em 2008, atropelamentos mataram 12.157 pessoas.

O Paraná foi o 3.º estado que mais teve mortes no trânsito em 2008. Foram 30,4 a cada 100 mil habitantes, índice superior à taxa brasileira (20,2). O estado supera ainda os índices brasileiros proporcionais à população em mortes de pedestres, ciclistas, motociclistas e ocupantes de automóveis.

O diretor geral do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), Marcos Traad, diz que é difícil especificar as causas. Ele afirma que, ao longo do tempo, o Detran "não planejou bem suas atividades para o trânsito". Segundo Traad, serão organizados eventos e campanhas de orientação. As ações, no entanto, não serão implantadas imediatamente: o órgão levará de 60 a 90 dias para apresentar seu planejamento.

O especialista em trânsito Antônio Clóvis Ferraz, da Univer­sidade de São Paulo, diz que a ação mais importante a ser feita é conscientizar a sociedade a se engajar na criação de uma cultura de segurança no trânsito. "Para isso é preciso fazer campanhas eficazes usando todas as formas de mídia e colocar em prática processos eficientes de educação para o trânsito no âmbito escolar, nas empresas, nas organizações sociais." Ele sugere ainda que os carros saiam de fábrica com limite de velocidade máximo de 100 km/h e, a motocicleta, com 50 km/h. Outro problema gerado pela violência no trânsito é a quantidade de pessoas feridas. David Duarte Lima, professor doutor em segurança do trânsito da Universidade de Brasília, diz que, para cada óbito envolvendo um motociclista, 50 pessoas se ferem. "A frota do motociclista está crescendo, e, infelizmente, o que acontece é que não há crescimento nas medidas de trânsito", diz.

Colaborou Monique Tavares

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