A sala reservada para a mesa redonda "Alterações do Sono e Transtorno do Humor" ficou pequena para o número de interessados no tema, ontem, no primeiro dia do 24.° Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que será realizado em Curitiba até amanhã. A atividade contou com a participação de cerca de 200 pessoas e com a presença de quatro especialistas que debateram as relações entre sono, humor e depressão.
Para a professora do Departamento de Psiquiatria da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Gisele Richter Minhoto, há uma relação direta entre sono e depressão. "Os distúrbios do sono constituem um aspecto primordial da depressão, por isso podemos refletir por que a maioria dos antidepressivos mexe com o sono", diz. Gisele ressaltou que as principais queixas de seus pacientes são: dificuldades para dormir, manutenção do sono, despertar precoce, sono leve e agitado, entre outros. "Geralmente os médicos não perguntam sobre o sono do paciente, fica um alerta para não comermos bola", ressaltou aos colegas durante o evento.
O professor do Grupo de Estudos de Doenças Afetivas (Gruda), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-HC-FMUSP), Frederico Navas Demetrio, contribuiu com uma importante estatística. "A insônia, um distúrbio do sono comum, ocorre em 90% dos pacientes deprimidos", afirma.
Consenso entre todos os debatedores, a privação do sono foi apontada como um fator que pode diminuir os sintomas da depressão. "Embora não seja uma terapêutica estável, quando o paciente volta a dormir, os sintomas voltam", alerta a professora Dalva Poyares, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O professor Odeilton Tadeu Soares, do Gruda, abordou o tema dos relógios biológicos, a privação do sono parcial e total e o avanço da fase do sono. "Dormir às 17 horas e acordar às 2 horas, por exemplo, pode diminuir os sintomas da depressão, enquanto que dormir tarde e acordar tarde evidencia a doença", exemplifica. A mesa redonda foi dirigida pela coordenadora do Programa de Saúde Mental de Campo Grande (MS), Gislayne Budib Poleto. (TC)



