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Desfalque milionário

Ex-vereador de Campo Largo explica como aplicava o golpe

Atualizado em 18/05/2006, às 22h37

O ex-vereador Cláudio Thadeu Cyz, de Campo Largo, região metropolitana de Curitiba, explicou, ao ser interrogado pelo delegado da Polícia Federal (PF) Luciano Flores de Lima, na noite desta quinta-feira, como praticava o golpe nos moradores da cidade. As aplicações de novos clientes bancavam os juros prometidos a aplicadores mais antigos do negócio. Entre essas operações, o ex-vereador também se beneficiava. Com isso, ele não teria o saldo necessário para quitar a dívida com seus credores e após receber ameaças teria fugido. Para os clientes, o negócio era apresentado de outra maneira. Como consultor financeiro, Cyz garantia que todo o dinheiro era aplicado na Bolsa de Valores. A rentabilidade para os "investidores" variava entre 3,5% e 8% ao mês.

Cyz e a mulher, Adeliz Suziki, foram presos pela manhã, em São Paulo, quando chegavam de um vôo da Europa e foram levados para a sede da PF, onde permanecerão à disposição da Justiça. Cys estava desaparecido há quase dois meses.

A prisão aconteceu 20 dias após a Superintendência da PF do Paraná ter deflagrado a operação "Milagre Econômico" para investigar o caso. O casal já está detido na sede da PF, em Curitiba. As investigações concluíram que Cyz e sua mulher estavam morando em Lisboa, Portugal. Ambos eram observados pela Polícia há alguns dias. Com os mandados de prisão preventiva em mãos, os policiais estavam apenas esperando o momento ideal para realizar as prisões. Assim que os dois desembarcaram em solo brasileiro, em São Paulo, a PF cumpriu os mandados.

A prisão era para ter sido concretizada no início do mês, mas a PF preferiu esperar, já que sabia da intenção do vereador de voltar ao Brasil. Os mandados de prisão já estavam com a Interpol, mas para evitar trâmites burocráticos que seriam lentos para a remoção dos presos para o país, os policiais esperaram que eles voltassem ao Brasil.

Desfalque

Em meados de março, o vereador desapareceu de Campo Largo e foi acusado por várias pessoas de dar um desfalque de quase R$ 200 milhões. Existem cerca de 4 mil boletins de ocorrência abertos contra Cyz. Durante alguns anos o político pegava dinheiro de eleitores e dizia investir na bolsa de valores. Hoje acredita-se que o valor que Cyz se apropriou gire em torno dos R$ 80 milhões.

Os investimentos, porém, segundo as investigações, não aconteciam e o dinheiro aplicado era usado para efetuar o pagamento dos supostos lucros de outros depositantes. Com a prática, o político garantia o votos dos "clientes" nas eleições.

No começo do mês, a Polícia Federal encontrou R$ 320 mil no carro e no apartamento da família do vereador, no centro de Curitiba. Os policiais acreditam que este dinheiro seja parte do que foi levado dos moradores.

Para tentar receber de volta o dinheiro é preciso entrar com processo no Fórum Cível.

Veja imagens da prisão de Cludio Cys no vídeo do ParanáTV

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