z O professor Oscar Hipólito, do Instituto Lobo, diz que a falta de dinheiro por parte dos alunos não é preponderante para o quadro de evasão universitária. "Na maioria dos casos, a origem do problema está na área acadêmica", diz. Neste guarda-chuva entram questões variadas, desde a escolha equivocada do curso pelo estudante, passando pela não adaptação à rotina universitária, deficiências de formação na escola básica e a falta de apoio da instituição para o nivelamento dos acadêmicos até os problemas de relacionamento entre aluno e professor.
A opinião é compartilhada com o professor Ademar Batista Pereira, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Particular (Sinepe) no Paraná. "Geralmente a evasão é atribuída à baixa qualidade de ensino e ao custo da universidade paga. Mas se essas fossem as causas não haveria desistência nas universidades públicas que, em tese, apresentam boa qualidade e são gratuitas", comentou.
Para ele, a escolha equivocada da graduação e a concorrência com o mercado do trabalho são as explicações para a alta taxa de abandono. "Nos últimos anos, muita gente resolveu fazer Direito, mas nem todos têm vocação para isso. É um modismo e muita gente desiste quando percebe que não é isso que espera."
Há também um percentual que desiste porque sai da escola com uma base fraca e não consegue acompanhar o curso. O professor Ademar acredita que a tendência é a de que a evasão aumente ainda mais se o mercado de trabalho continuar aquecido. Muita gente procura o ensino superior para ter oportunidade de emprego, mas se essa chance surge antes de o estudante concluir a faculdade, e ele não tiver uma forte visão de que a formação superior vai trazer um avanço em sua vida, acaba optando por se dedicar só ao trabalho.
Banda larga
Hipólito ressalta a necessidade de as universidades implantarem núcleos de acompanhamento, que revelem o perfil de seu aluno. "Esse tipo de serviço inexiste nas universidades particulares e também nas públicas, que não têm o aluno da graduação como foco principal. Prova disso é que colocam os professores menos experientes para dar aula para quem ingressa, quando deveria ser o contrário", diz. "O professor banda larga, como costumamos chamar, tem melhores condições de atender esse aluno que chega." O especialista considera fundamental ainda investimentos para manter os alunos no ensino superior. "As instituições particulares gastam muito em propaganda para atrair novos alunos, mas não se preocupam em fazer o mesmo para fidelizá-los."



