Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Governo

Falta de orçamento já afeta gastos públicos

Brasília – A equipe econômica alerta: o atraso de quase quatro meses na aprovação do Orçamento da União compromete os gastos públicos e dificulta a execução da meta de superávit primário (a economia feita para pagar juros da dívida pública). O secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, diz que, sem lei orçamentária, o governo não tem parâmetro adequado para guiar as despesas.

"O orçamento existe para que tenhamos os limites e as prioridades estabelecidos pelo Congresso. Já houve momentos no Brasil em que, pelos efeitos da inflação, o orçamento existia formalmente, mas não cumpria papel nenhum. Tinha uma alta discricionariedade de quem geria o orçamento, o que não é desejável", afirmou Kawall. "Então, desse ponto de vista, a situação atual atrapalha."

Para que o governo pudesse organizar corretamente suas despesas, o orçamento de 2006 deveria ter sido aprovado pelo Congresso até o fim do ano passado. Um impasse entre o Planalto e os parlamentares atrasou a votação e ainda não há um orçamento definido. Sem sua aprovação, só podem ser realizados gastos de custeio e investimentos herdados do ano anterior. Por isso, o governo se viu obrigado a editar medidas provisórias liberando recursos para os ministérios e as estatais.

Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar a outra MP que libera mais R$ 24,4 bilhões, sendo R$ 5,66 bilhões para os ministérios e o restante para as estatais. A decisão de Lula foi tomada diante da expectativa frustrada de que o Congresso votasse o orçamento na última terça-feira.

Analistas de mercado já demonstram preocupação quanto à capacidade de o governo cumprir a meta fiscal deste ano, que é de 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas produzidas no país). Nos dois primeiros meses deste ano, o governo realizou apenas 8,7% da meta fiscal prevista para todo o ano, ante uma média, no período 2001-2005, de 18%.

Kawall garante que, apesar das dificuldades, o objetivo do governo será atingido. "Nosso compromisso é chegar aos 4,25% do PIB." Ele acredita que o ceticismo de alguns analistas deve ser desfeito quando forem divulgados os dados dos primeiros quatro meses do ano.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.