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Meio Ambiente

Falta dinheiro para investimentos

O secretário estadual de Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, admite ser difícil aos municípios manter programas de reciclagem por causa dos custos com manutenção dos aterros e centrais de compostagem (transformação do lixo orgânico em adubo). Há projetos que propõem a união dos municípios em consórcios para a utilização coletiva de aterros. "Queremos implantar 33 aterros para atender 84% da população, mas isso ainda está em discussão", afirma. O custo com transporte é o que mais pesa. Cálculo do professor Sabetai Calderoni, do Núcleo de Pesquisas Estratégicas na Universidade de São Paulo (USP), é de que o transporte de uma tonelada de lixo custe R$ 100. "Deus deveria criar o 11.° mandamento: não transportarás", ironiza Calderoni, lembrando que os aterros são licenciados em locais cada vez mais distantes, aumentando o custo.

Para o coordenador da organização não-governamental Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), André Vilhena, o índice de 40% é exigente. "Não adianta metas incompatíveis. Mas se chegarmos a esse patamar seria excelente", argumenta. O engenheiro civil e sanitarista Nicolau Leopoldo Obladen, professor de Engenharia Ambiental na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), lembra que muitos programas não dão certo por serem feitos de impoviso. "É preciso conhecimento técnico, administrativo e social", acrescenta. A engenheira ambiental Verônica Lemos Craia, professora da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unioeste) acrescenta: os programas devem ter continuidade. "O problema é que a troca de prefeitos interfere na manutenção."

Em Marmeleiro, no Sudoeste, a coleta seletiva é um assunto conhecido da população. Já em Paranaguá, no litoral, ainda há lixão a céu aberto.

A prefeitura de Marmeleiro contratou há seis anos duas empresas para trabalhar com o lixo. Uma faz a reciclagem e outra a compostagem. Quem põe o lixo na rua sem separar é multado em R$ 104. "Todos colaboram e as multas são raras", diz a coordenadora do programa de reciclagem, Márcia Regina Telli Serronato.

Em Paranaguá, o lixão é explorado por aproximadamente 120 garimpeiros, que trabalham em condições insalubres. A expectativa é de que o cenário se reverta em longo prazo. O terreno para a implantação do aterro foi escolhido, mas o pedido de licença prévia ainda tramita no Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Além disso, a prefeitura desenvolve projeto de educação ambiental. "É a criança que aprenderá a separar o lixo", acredita a coordenadora de Educação Ambiental, Rosângela de Freitas Diniz da Silva.

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