Amigos e familiares do advogado Cleber Diomar Pinto, 24 anos, morto em um confronto com a Polícia Militar (PM) em Guaraniaçu, no Oeste do Paraná, organizaram um protesto para esta sexta-feira (1º), na Boca Maldita, em Curitiba, a partir das 18h30. A manifestação vai abordar principalmente o abuso policial, segundo o amigo da vítima, que foi morta ao lado do primo e cliente.
Serão distribuídas cartilhas que falam sobre o caso da morte de Cleber e do primo Ademilson de Lima Damásio, 23 anos. "Como aconteceu no interior, aqui em Curitiba ninguém está sabendo. E além de contar a história do Cleber, queremos levantar a questão do abuso policial para conscientizar a população", disse o advogado e amigo da vítima, Luis Gustavo de Lima Alves.
Cleber e Ademilson foram mortos no final da tarde do último dia 21, às margens da rodovia BR-277. A Polícia Militar investigava uma quadrilha especializada em arrombamentos de caixas eletrônicos, quando identificou o carro no qual os primos viajavam, um Golf, com placas de Cascavel, que pertencia a Ademilson, mas era dirigido por Cleber no momento da abordagem.
De acordo com a PM, os dois rapazes fugiram em alta velocidade pela rodovia quando foram abordados, mas encostaram o carro ao se depararem com uma carreta. Eles desceram do veículo atirando, segundo a PM. Os policiais estavam em uma viatura descaracterizada, conforme a Polícia Civil.
Ademilson tinha várias passagens pela polícia, inclusive por homicídio e roubo. O pai de Cleber, Milton Antônio, contou que o filho morava em Curitiba, se formou em julho do ano passado, passou no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e foi contratado para defender o primo.
A família do advogado contesta a versão dos policiais. "Eles fizeram uma emboscada, meu filho não andava armado e plantaram uma arma na mão dele, só que ele era canhoto e a arma estava perto da mão direita dele", disse o pai. Ele também afirma que o filho saiu de casa com R$ 1,5 mil no bolso. "Encontraram só R$ 23. Se qualquer um que mata e rouba é latrocínio, mas a polícia eu não sei o que é. Tiraram a vida dele", desabafou.
O delegado que acompanha o caso, Joselito Teixeira, disse que todas as pessoas envolvidas no caso já foram ouvidas e que o inquérito aguarda provas técnicas, que dependem de laudos da criminalística. A análise deve ser concluída entre 60 e 90 dias. A perícia poderá, inclusive, provar se a arma foi implantada na mão de Cleber, como afirma a família da vítima. "Estamos analisando o conjunto de provas, mas ainda dependemos de muitos detalhes da criminalística", declarou o delegado.
Os dois policiais militares envolvidos no caso disseram em depoimento que, apesar de estarem em uma viatura descaracterizada, eles usavam o giroflex sinalizador de luz da polícia -, e que, além disso, anunciaram que eram policiais quando as vítimas desceram do carro. Tanto a viatura, quanto o carro das vítimas tinham marcas de tiros, conforme Teixeira.
Uma reconstituição do caso está marcada para o dia 19 de fevereiro, às 9 horas, em Guaraniaçu. Ela vai ser acompanhada por policiais da delegacia local e da criminalística de Cascavel.
OAB
Outro amigo da vítima, o também advogado André Luiz Prieto, disse que se reuniu com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Juliano Breda, na segunda-feira (28), quando foi discutida a criação de uma subcomissão, dentro da Comissão de Direitos Humanos, contra o abuso policial. "Ele assumiu essa postura de total cooperação e disse que só aguara a definição da nova composição da OAB para colocar em prática a subcomissão", disse Prieto.
A OAB não confirma a criação da subcomissão, mas garantiu que designou o advogado Danilo Rodrigues Alves para acompanhar as investigações com a Polícia Civil. O advogado não foi encontrado para comentar o assunto no início da noite desta quinta-feira.



