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Programa Social

Família Paranaense prevê 33 Cras por ano

Governo do Paraná lança projeto para atender 100 mil famílias em situação de vulnerabilidade social até 2014

Mangueirinha, no Sudoeste do Paraná, é um dos 30 municípios que vão receber as primeiras ações do programa | Hugo Harada/Gazeta do Povo
Mangueirinha, no Sudoeste do Paraná, é um dos 30 municípios que vão receber as primeiras ações do programa (Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo)

A construção de aproximadamente 33 Centros de Referência de As­­sistência Social (Cras) por ano até 2014 está entre as metas do programa Família Paranaense, a principal aposta do governo Beto Richa na área social. Lançado na semana pas­­sada com o objetivo de reduzir a pobreza extrema no estado, o pro­­jeto visa a atender famílias em si­­tuação de vulnerabilidade social em pelo menos 300 municípios do es­­tado.

Segundo dados de 2010 do Ins­tituto Brasileiro de Geografia e Es­­tatística (IBGE), o Paraná tem 306 mil pessoas (2,94% da população) em situação de extrema pobreza. Is­­so representa 96 mil famílias (com aproximadamente três pessoas por domicílio).

O Família Paranaense consiste em uma ação intersetorial. De­­zessete órgãos estaduais, encabeçados pela Secretaria da Família e De­­senvolvimento Social (Seds), irão trabalhar de forma coordenada nos setores de assistência social, ha­­bitação, educação, saúde e agricultura e abastecimento para identificar e atender as necessidades bá­sicas de famílias vulneráveis socialmente.

Segundo a Seds, R$ 64 milhões são de recursos provenientes do or­­çamento das secretarias envolvidas e R$ 14 milhões de fundos estaduais, como o da Infância e Ado­­lescência. Outros R$ 100 milhões são aguardados em forma de em­­prés­­timo do Banco Inter­­americano de Desen­volvimento. Esse dinheiro será destinado, entre outras ações, para a construção de 100 Cras e de 22 Centros de Referência Es­­pecializados de Assistência So­­cial (Creas) em cidades que serão se­­lecionadas de acordo com os critérios do programa. Hoje o Paraná tem 475 Cras e 106 Creas, centros cuja finalidade é o atendimento de famílias em situação de vulnerabilidade e risco social.

Com os recursos já disponíveis, a Seds afirma que o programa permitirá de imediato a construção e reforma de unidades de saúde, ações de educação integral, capacitações e reformas de escolas, entre outras ações.

Análise

Embora veja como positiva a ação de integrar as ações de diversos ór­­gãos do governo, a professora do cur­­so de Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Jucimere Silveira acredita que é necessário estruturar políticas de maior alcance. "É o mesmo Família Curitibana [programa da pre­­feitura de Curitiba], que articula melhor as secretarias, mas não sei se esse objetivo se atinge en­­quanto estado. Poderia se fazer mais que isso, ter um impacto maior."

Para ela, o Família Paranaense não inova muito. "Ele corre em pa­­ralelo aos sistemas públicos nacionais e não subsidia o atendimento às famílias", analisa. Em sua opinião, o Paraná deveria potencializar o programa nacional (Bolsa Família) e fortalecer os municípios, para que eles tenham capacidade de gestão e de ofertar serviços de qualidade.

Procurada pela reportagem, a assessoria da Secretaria da Família se manifestou apenas por nota e preferiu não destacar ninguém para falar sobre o programa.

30 cidades vão receber as primeiras ações

Previsto para durar até 2014, o Família Paranaense vai atuar em 300 municípios, segundo a Secretaria da Família. Destes, foram selecionadas 30 cidades que receberão as ações iniciais do governo. Os critérios para esta seleção se basearam nos últimos dados do Ipardes, IBGE e secretarias de estado da Saúde e Educação para elencar os municípios com o mais baixo Índice Ipardes de Desempenho do Município (IPDM), grandes concentrações de moradias precárias e áreas de risco habitacional, baixa taxa de aprovação escolar e alto índice de gravidez na adolescência.

Além disso, para ser incluído neste grupo foi preciso que a cidade tivesse pelo menos um Centro de Referência de Assistência Social (Cras) instalado e funcionando e que a taxa de atualização do cadastro único (CadÚnico) fosse maior ou igual a 70%.

Um dos indicadores fundamentais para este tipo de seleção, o IPDM leva em consideração as três principais áreas de desenvolvimento: emprego, renda e produção agropecuária; educação; e saúde. Com notas variando entre 0 e 1, quanto mais próximo de 1 maior é o desempenho do município. Entre os 30 municípios prioritários, nenhum alcançou nota superior a 0,7, tampouco o índice de Curitiba, que é 0,8509, segundo dados de 2008.

De acordo com o presidente da Companhia de Habitação do Pa­­raná (Cohapar), Mounir Chao­wiche, toda família atendida pelo programa receberá um diagnóstico sobre o contexto de sua habitação. Mas, inicialmente, 2 mil fa­­mílias de dez municípios terão atendimento prioritário da Cohapar, que irá investir, apenas em 2012, R$ 50 milhões em mo­­radia.

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