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Fundação Palmares irá retirar livros sobre socialismo e comunismo do seu acervo cultural
Marco Frenette, coordenador do CNIRC, está à frente do processo de filtragem das obras da Fundação Palmares| Foto: Reprodução Facebook

Servidores da Fundação Palmares – entidade vinculada ao governo federal voltada à promoção e preservação da influência negra na formação da sociedade brasileira – estão realizando um levantamento de livros que serão eliminados do acervo cultural da instituição. A justificativa para a retirada é que grande parte do acervo não está relacionado com a temática negra – dos atuais 9.565 títulos, apenas 46% estariam de acordo com a missão institucional da fundação, segundo a diretoria da Palmares.

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A grande maioria dos livros que serão descartados por meio de doação estão relacionadas a temas como socialismo, comunismo e stalinismo. De acordo com Marco Frenette, coordenador-geral do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra (CNIRC), que integra a Fundação Palmares, a retirada de títulos visa a adequação do acervo ao propósito da entidade.

“Nosso Regimento Interno, em seu primeiro capítulo, define muito claramente que a Palmares tem por finalidade ‘promover a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira’, e também ‘deve promover e apoiar a integração cultural, social, econômica e política dos afrodescendentes no contexto social do País’, afirma Frenette, responsável pelo trabalho de filtragem das obras.

Desde o início de maio, Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, tem feito publicações em suas redes sociais sobre a retirada dos títulos. No dia 7 de maio, ele publicou em sua conta no Twitter: “Menos de 10% do acervo pode ser classificado como obras de relevância cultural, relacionadas à temática negra. A Fundação Palmares historicamente menosprezou a Cultura. Deu força total à ideologia e doutrinação”.

No mesmo dia, Camargo também publicou imagens de capas de livros sobre Che Guevara presentes na biblioteca da Palmares e citou que o revolucionário era “profundamente racista”.

“Há muitos podres no acervo cultural da Palmares, acumulados em mais de 30 anos de gestão da esquerda. Todos serão publicizados! Raras vezes o dinheiro público destinado à Cultura foi tão desvirtuado. Na Palmares, a arte foi relegada ao último plano; Che Guevara, glorificado!”, cita a publicação.

Livros com vinculação política permanecerão, desde que sejam atrelados à temática negra, afirma diretor

O coordenador do CNIRC disse à Gazeta do Povo que, dos 4,4 mil títulos voltados à temática negra que constam atualmente no acervo, menos de 500 são de cunhos pedagógicos, educacionais e culturais. O restante, segundo ele, são “livros de militância política explícita ou divulgação marxista, usando a temática negra como pretexto para divulgar ideais separatistas e segregacionistas”.

O critério para a permanência dos livros na biblioteca da fundação é que estejam relacionados à temática negra, ainda que vinculados a movimentos políticos. “Um livro sobre sistemas hidráulicos em tese não constaria no nosso acervo. Porém, se um engenheiro escrever um livro intitulado ‘Os Novos Sistemas Hidráulicos nas Áreas Quilombolas’, então justifica tê-lo em nosso acervo”, afirma Frenette.

“A mesma lógica ocorre com os livros marxistas. Nosso levantamento identificou centenas de livros de e sobre Karl Marx, Engels, Lênin, Trotsky e Stálin. Esse material será doado, dentro dos procedimentos legais, por não ser de temática negra. Porém, um livro como o “Black Marxism” (“Marxismo Negro”), de Cedric Robinson, permanecerá no nosso acervo, por cruzar a temática negra com o tema marxismo”.

De acordo com a Fundação Palmares, após a aprovação da Comissão de Desfazimento de Bens da entidade, constituída por servidores da instituição, os livros que não serão mais aproveitados serão disponibilizados para doação no site Participa Mais Brasil, do Governo Federal.

Após a finalização do levantamento, a entidade publicará relatórios que, segundo o diretor, comprovarão que houve desvio de finalidade na atuação da Fundação Palmares em anos anteriores. O primeiro desses relatórios, que deverá ser publicado ainda em junho, tratará especificamente do acervo bibliográfico, enquanto o segundo abordará o acervo iconográfico.

<em>Livros que serão retirados do acervo cultura da Fundação Palmares (Crédito: Marco Frenette)</em>
Livros que serão retirados do acervo cultura da Fundação Palmares (Crédito: Marco Frenette)
 <em>Livros que serão retirados do acervo cultura da Fundação Palmares (Crédito: Marco Frenette)</em>
Livros que serão retirados do acervo cultura da Fundação Palmares (Crédito: Marco Frenette)
 <em>Livros que serão retirados do acervo cultura da Fundação Palmares (Crédito: Marco Frenette)</em>
Livros que serão retirados do acervo cultura da Fundação Palmares (Crédito: Marco Frenette)

ONG Educafro fará representação na DPU contra presidente da Fundação Palmares

Em reação à retirada de livros, a ONG Educafro ingressará com uma representação na Defensoria Pública da União (DPU) contra Sérgio Camargo por improbidade administrativa.

À reportagem, o frei David Santos, diretor-executivo da Educafro, disse que o descarte dos livros relacionados a políticas de esquerda é uma provocação por parte de Camargo. “Toda pessoa normal que vê essa atitude entende que ele está tratando a Fundação Palmares, que é um órgão da União, como se fosse a casa particular dele”, disse o ativista. Santos declarou que Camargo é “um botão na mão de uma estrutura opressora colonial que persiste no Brasil”.

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