Curitiba Quase todas as negociações coletivas de trabalho realizadas no primeiro semestre deste ano conseguiram reajuste acima ou igual à inflação, mas em menos de 1% desse total a recuperação foi 5% maior que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), parâmetro de inflação geralmente usado para calcular as perdas salariais. O número é semelhante aos acordos realizados desde 2002, último ano em que os parlamentares do Congresso receberam reajuste. De lá para cá, o INPC ficou acumulado em 22,10%. Dessa forma, o reajuste de 90,7% que os congressistas desejam agora representa um aumento real de 68,6%, coisa que poucos trabalhadores conseguiram no período. Além disso, não são muitos os assalariados brasileiros que ganham por mês os R$ 24,5 mil pretendidos pelos congressistas.
Acordos coletivos
De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de janeiro a junho de 2006, apenas 2 dos 271 acordos coletivos de reajuste salarial conseguiram ganhos acima de 5% da inflação. Ainda não existem dados disponíveis relativos às negociações do segundo semestre. Em 2005, das 640 convenções analisadas, apenas 1 conseguiu reajuste de 5% ou mais acima do que a inflação, número idêntico ao resultado de 2004, de um universo de 658 convenções. Em 2003, também apenas uma categoria, das 149 avaliadas, conquistou ganhos maiores do que 5% acima da inflação medida em um ano, desde o último reajuste. Se fosse considerado o acumulado de 22,10% do INPC, o salário dos parlamentares deveria ser aumentado para R$ 15.686,55.
No balanço das negociações do primeiro semestre deste ano, que foi o melhor resultado para os trabalhadores em 10 anos de pesquisa do Dieese, 82% dos assalariados asseguraram reajustes superiores ao INPC, 14% garantiram um ganho igual à inflação e somente 4% fizeram acordo com porcentuais insuficientes para recuperar as perdas acumuladas desde a data-base anterior. A maior parte dos reajustes, ou 35,4% do total, ficou entre 0,01% e 1% (veja infográfico). Para o segundo semestre, cujos resultados devem ser fechados no ano que vem, a expectativa é de reajustes ainda melhores. "Ainda há muitas negociações em andamento, mas o resultado deve ser melhor", diz Sandro Silva, economista do Dieese-PR.
Minoria
Ainda segundo dados do Dieese, relativos a 2005, menos de 0,04% dos assalariados do Brasil recebem em média R$ 18.465,00 por mês. Aliás, são poucos os que recebem um salário maior do que R$ 10 mil. O número não chega a 30 mil do total de 33,238 milhões de trabalhadores com carteira assinada, enquanto uma ampla maioria de 13,822 milhões está na faixa dos que ganham entre R$ 500 e R$ 1.000 de remuneração. Na base da pirâmide, são quase 5 milhões os brasileiros que recebem menos de R$ 500. Entre os que têm um salário maior do que R$ 10 mil, estão magistrados, membros do Ministério Público, diretores de pesquisa e desenvolvimento, diretores de operações de serviços em instituição de intermediação, diretores de comercialização e marketing e auditores fiscais da Previdência Social. Já entre os que ganham menos do que R$ 500, figuram garimpeiros, empregados domésticos, agricultores, carvoeiros, operários, entre outras dezenas de ocupações.



