Os dois guardas patrimoniais de Cascavel (Oeste) acusados de terem matado um adolescente durante a noite de sábado (8) se apresentaram nesta terça-feira (11), no 15.º Distrito Policial. Os guardas negaram que tenham feito o disparo de arma de fogo que matou o adolescente. Eles foram interrogados e liberados em seguida. Segundo a polícia, os guardas não ficaram presos porque o período do flagrante acabou.
A prefeitura de Cascavel também instaurou um inquérito administrativo para apurar o caso. A sindicância tem um prazo de 10 dias para ser concluída. Os guardas, que fazem a segurança em escolas e prédios públicos do município, não têm autorização para trabalhar armados. Eles estão afastados das funções até o término da investigação interna da prefeitura. A sindicância corre em sigilo e os nomes dos guardas não foram divulgados.
Segundo a assessoria de imprensa do município, os guardas patrimoniais ainda não se apresentaram na prefeitura após a morte do adolescente. O jovem morreu na hora após ser atingido por tiros nos pulmões e em uma artéria do coração. De acordo com a versão da família do adolescente, ele e quatro amigos saíram para jogar sinuca no sábado e, quando voltavam para casa a pé, teriam se envolvido em uma confusão em um terminal de ônibus da cidade. Os guardas teriam abordado os rapazes, um deles atirou para o alto e o outro teria atirado no adolescente, segundo a versão dos familiares.
Guardas negam
A versão apresentada pelos guardas patrimoniais para a Polícia Civil foi diferente da falada pelas vítimas. "Eles (guardas) contaram que foram atender a uma ocorrência de dano ao patrimônio público em uma creche, no bairro Faculdade. Segundo a denúncia, cinco pessoas estavam destruindo o local", afirmou o escrivão do setor de homicídios do 15.º DP, Reinaldo Bernardin de Andrade.
No depoimento, os guardas afirmaram que antes de chegarem à creche foram abordados por cinco indivíduos, que teriam impedido a passagem do veículo, um Fiat Uno caracterizado com timbres da prefeitura e da guarda patrimonial. Três jovens teriam ficado na frente do carro e outros dois de cada lado do veículo.
"Os guardas falaram que um dos jovens jogou um tijolo no vidro traseiro do carro. Um dos guardas abriu a porta e os rapazes teriam o agarrado e retirado do veículo. Houve luta corporal e o motorista ouviu um disparo de arma de fogo, mas não soube dizer quem atirou nem de onde partiu o tiro. O motorista saiu do carro para ajudar o outro guarda e foi ouvido o segundo disparo. Os guardas ficaram com medo dos tiros e entraram no carro para ir embora", disse o escrivão Andrade.
Os guardas contaram ao delegado José Carlos, que preside o inquérito, e ao delegado-chefe Amadeu Trevisan Araújo, que não se apresentaram antes à polícia porque estavam com medo de serem presos em flagrante por causa da morte do adolescente. Um dos guardas contou que tem uma arma particular, e a apresentou na delegacia, mas afirmou que não a usa no trabalho, pois não tem autorização para isso. Os dois guardas negam que tenham atirado contra o adolescente.
"Em princípio eles são acusados pelo homicídio, não ficaram presos por que não teve flagrante. Agora vamos ouvir testemunhas. Chamar as pessoas envolvidas para prestar depoimento e serão feitos exames periciais para que o delegado possa tomar a decisão se irá denunciar os guardas", definiu o escrivão.







