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A memória dos nossos expedicionários

Conheça a história do museu que é referência nacional em acervo sobre a Segunda Guerra Mundial

  • Willian Bressan
Fachada do  Museu do Expedicionário, em  Curitiba | Hugo Harada/Gazeta do Povo
Fachada do Museu do Expedicionário, em Curitiba Hugo Harada/Gazeta do Povo
 
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O ano é 1944. A guerra que dizimou milhões de judeus segue avançando pela europa. O Brasil, que até então se mantinha neutro, declara apoio aos Aliados e os primeiros homens da Força Expedicionária Brasileira (FEB) chegam à Itália em julho do mesmo ano. A história desses homens, em especial dos paranaenses, pode ser conhecida no Museu do Expedicionário, que completa 35 anos em 2015.

Confira imagens do Museu do Expedicionário

Os combatentes brasileiros desempenharam papel importante nas batalhas travadas na Segunda Guerra Mundial. Uma das mais emblemáticas foi a de Monte Castello, que arrastou-se por três meses, de novembro de 1944 a fevereiro de 1945. O conflito marcou a presença da FEB na guerra, que acabou pouco tempo depois. Em setembro de 1945, foi declarada a vitória dos Aliados.

Ao retornarem ao Brasil, os combatentes encontram um cenário de abandono social, pois a Força Expedicionária Brasileira teve o seu fim decretado ainda quando eles estavam na Itália. Sem o apoio do governo federal e sem políticas públicas específicas para o tratamento de doenças e sequelas adquiridas durante a Guerra, surgiram em todo país associações destinadas à reintegração social e ao apoio psicológico aos homens que haviam lutado pela pátria.

No Paraná, foi fundada, em 20 de novembro de 1946, a Legião Paranaense do Expedicionário (LPE). Formada por oficiais da ativa e da reserva do Exército que haviam atuado durante a Segunda Guerra Mundial, ela tinha como objetivo, além da luta por direitos dos ex-combatentes, a preservação da história da Força Expedicionária.

Era o início de uma nova luta. Dessa vez, a batalha era arrecadar investimentos para a construção da Casa do Expedicionário, que honraria os veteranos de guerra. Em 15 de novembro de 1951, a Casa do Expedicionário foi inaugurada na sede da Legião Paranaense dos Expedicionários (LPE).

O professor Dennison de Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), conta que, embora tenham acontecido diversas mudanças no estatuto da LPE, a cláusula destinada à memória nunca deixou de existir. Assim que se criou a Legião e iniciou-se o processo para a criação do museu, foi lançada uma campanha para reunir peças do acervo pessoal dos ex-combatentes. De documentos a uniformes, de livros a armas, tudo que remetesse à luta dos expedicionários paranaenses na Segunda Guerra Mundial era bem-vindo para a composição do museu.

Glórias do passado

Passaram-se alguns anos até que a instituição começasse a assumir a forma de hoje. No início, como a principal função da Casa do Expedicionário era oferecer serviços de apoio aos ex-combatentes, o museu só ocupava um cômodo do imóvel. No espaço, doações de quem esteve no campo de batalha formavam o acervo.

Chamado de Sala Tenente Max Wolf Filho, logo o cômodo ficou pequeno. Como o volume de doações aumentou, a LPE decidiu transformar todo o prédio da Casa do Expedicionário em museu. Em 19 de dezembro de 1980, o local virou oficialmente museu e foi reconhecido como um dos mais completos do Brasil sobre o assunto.

Uma das peças do acervo do Museu do Expedicionário é o avião de caça P-47 Thunderbolt, que fica em frente ao prédio, na Praça do Expedicionário. A aeronave fez parte do 1.º grupo de caça da Força Aérea Brasileira e participou na Itália do maior número de missões. Na parte externa também há uma lápide que homenageia os 28 expedicionários do Paraná mortos nos combates da Segunda Guerra.

Museu está abandonado, alerta historiador da UFPR

Apesar da enorme importância histórica para o Paraná, o Museu do Expedicionário está, segundo o professor de história da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Dennison de Oliveira. “O museu está em estado precário, é um retrocesso as condições atuais em que se encontra. O Expedicionário deveria ter um historiador, arquivista, bibliotecário. O convênio que a Legião Paranaense de Expedicionários tem com o governo do estado não é cumprido. A perspectiva para o futuro é muito ruim”, afirma Dennison.

De acordo com a Secretaria de Cultura do Paraná, o Museu do Expedicionário, assim como outros espaços culturais do estado, “deve ser reformado, mas ainda não há previsão de data”. Para isso ocorrer, segundo a secretaria, depende do processo de renovação do convênio firmado entre a Legião Paranaense do Expedicionário e o governo do estado. A secretaria afirmou ainda, por meio de nota, que custeia as despesas mensais do museu como energia elétrica, água, telefone, materiais de expediente, vigilância e limpeza, além de realizar obras de manutenção periódicas.

Para Dennison, é preciso conseguir outras fontes de renda. “O museu não pode depender apenas dos repasses do governo do estado. Deveria ser criada uma associação de amigos do museu, que contribuiriam com uma mensalidade. A ideia [de criação] é antiga, mas nunca saiu do papel”, diz. A reportagem tentou entrar em contato com representantes da Legião Paranaense do Expedicionário, que administra o museu, mas ninguém foi localizado.

Segurança

A falta de segurança também é um problema para o local. Em 2013, foram furtados vários materiais do prédio. Entre eles, um capacete alemão, uma cruz de mérito de guerra, uma fivela de distintivo de uniforme alemão e uma baioneta com bainha.

Recentemente, o Expedicionário – junto com outros museus da cidade – ficou fechado para visitação por causa da falta de pagamento para a empresa de segurança. Após a denúncia da Gazeta do Povo, no início de março deste ano, o governo parcelou a dívida com a empresa responsável pelo serviço e os museus foram reabertos.

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