
Pelo menos 25 proprietários rurais de Campina Grande do Sul e Quatro Barras, ambas na região metropolitana de Curitiba, estão sofrendo com a infestação de ratos silvestres em suas terras. O fenômeno é conhecido como "ratada" e acontece durante o período de seca da planta taquara, uma espécie de bambu que serve de alimento para os roedores. Quando essa planta perde as sementes, os ratos procuram por comida nas casas e propriedades rurais. Diante da situação, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) enviou alerta aos demais municípios do Paraná. Por enquanto, nenhuma outra cidade registrou ocorrências.Neste ano, a seca da taquara coincidiu com a época em que os ratos estão mais ativos biologicamente por causa da reprodução e pelo nascimento de novos animais, o que provoca aumento na população desses bichos. O último registro de ratada no estado foi entre 2004 e 2005 nas regiões de União da Vitória, General Carneiro, Guarapuava, Irati, Pato Branco e Cascavel. Antes disso, o fenômeno havia sido registrado em meados da década de 70.
"É um inferno, os ratos atacam toda a ração para criação animal", reclama o proprietário rural Ivanir Zanela. Morador de Quatro Barras, em apenas um dia chegou a recolher mais de 30 ratos. Para conter o avanço dos animais, Zanela coloca ração em diversas áreas do sítio onde trabalha em Quatro Barras. O produto misturado com veneno fica exposto no paiol, no galinheiro, na estrebaria e no chiqueiro durante a noite, quando os ratos saem das tocas. Durante o dia, o chacareiro retira o produto para que os animais de criação não tenham contato com o veneno. Uma máscara é a única proteção usada por ele.
Zanela conta que o problema começou há cerca de um mês e meio, mas a mobilização dos demais produtores ganhou força há 20 dias. Ainda sem receber nenhuma visita da equipe da Vigilância Sanitária do município, ele acredita que conseguiu reduzir o número de animais na propriedade com o veneno. "Mas se sair com o carro por aí, você não vence de contar os ratos que estão na estrada", afirma.
Doenças
A grande preocupação das autoridades de saúde é a transmissão da hantavirose pelos ratos silvestres. O vírus é transmitido pela urina, fezes e saliva do animal em contato com os humanos e a doença afeta principalmente os pulmões e o coração. A forma mais comum de contágio é pela respiração, quando acontece a inspiração da poeira contaminada. A doença também é transmitida pelo contato de machucados com as excreções, pela ingestão de alimentos contaminados e pela mordida do rato infectado, que é a maneira mais rara.
A chefe da Divisão de Zoonoses e Animais Peçonhentos da Secretaria de Saúde (Sesa), Gisélia Burigo Rúbio, ressalta que os cuidados dos proprietários são determinantes para impedir a aproximação dos ratos. "Os cuidados são fundamentais para afastá-los. Para isso é preciso evitar que os alimentos fiquem expostos", explica. Gisélia ressalta ainda que o uso de veneno deve ser feito com orientação dos órgãos de controle e que o produto deve ser registrado. "A Vigilância Sanitária faz o controle químico seguro. É preciso seguir as orientações", alerta. Ela também não recomenda a queima dos animais, que pode causar grandes incêndios, ou tentar matá-los a pauladas, pois as excreções podem respingar e acarretar a contaminação.
Nesta semana, equipes da Vigilância Sanitária dos dois municípios e da Sesa fizeram visitas a alguns proprietários. Os técnicos coletaram animais para verificar se os ratos estão ou não infectados com a hantavirose. Diagnosticada em 1992, a doença já registrou até hoje 198 casos no Paraná, com 71 mortes. Até 2004, o estado apresentava os maiores índices da doença no país. Com as medidas de controle adotadas após a última ratada, caiu para a terceira colocação.



