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“É um inferno, os ratos atacam toda a ração para criação animal. Se sair com o carro por aí, você não vence de contar os ratos que estão na estrada.”
Ivanir Zanela, proprietário rural de Quatro Barras | Ivonaldo Alexandre / Gazeta do Povo
“É um inferno, os ratos atacam toda a ração para criação animal. Se sair com o carro por aí, você não vence de contar os ratos que estão na estrada.” Ivanir Zanela, proprietário rural de Quatro Barras| Foto: Ivonaldo Alexandre / Gazeta do Povo

Hantavirose

Os sintomas da doença aparecem de 4 a 60 dias após a contaminação. No Paraná, a média é de 15 dias para o aparecimento dos primeiros sinais. Veja quais são eles:

- Febre

- Dor de cabeça

- Mal-estar geral

- Dores no corpo

- Dificuldade respiratória que aparece rapidamente, "da noite para o dia". Este é o principal fator que caracteriza a hantavirose.

Cuidados

A pessoa contaminada deve procurar um hospital e informar que esteve em área silvestre. A informação é importante para a prescrição do tratamento adequado. Veja as medidas para evitar os ratos:

- As casas devem manter uma distância mínima de 50 metros da área de plantio e da mata;

- A área deve ser limpa, com a grama aparada e sem entulhos que podem servir de abrigos para os ratos;

- Não deixe os grãos de um dia para o outro na área de colheita. Os ratos podem se aninhar entre os produtos;

- O paiol para armazenar grãos deve ser arejado, com portas e janelas. Antes de entrar, lave o local com uma solução cuja proporção é de um litro de água sanitária diluído em nove litros de água. Espalhe-a pelo local com cuidado para não levantar poeira e deixe agir por 30 minutos;

- Em casa, guarde os alimentos em latas e não os deixe abertos;

- Use barreiras na soleira das portas para impedir a entrada dos ratos;

- Feche as janelas ao anoitecer. Ratos silvestres têm hábitos noturnos;

- Em caso de infestação, procure a Vigilância Sanitária do município.

Fonte: Secretaria de Estado da Saúde.

Zoonose

Meio urbano também exige precauções

Enquanto a área rural sofre com as ratadas, é preciso lembrar que o combate aos ratos nas regiões urbanas também deve ser constante.

Em Curitiba, o foco das ações de combate são as ratazanas, que transmitem a leptospirose, doença com altos índices de letalidade. O biólogo responsável pelo Centro de Controle de Zoonoses e Vetores da Secretaria Municipal da Saúde, Juliano Ribeiro, ressalta que a participação da população é indispensável. "Para resolver o problema de qualquer praga urbana é preciso evitar a água, o alimento, o abrigo e o acesso dos animais", alerta.

A orientação é evitar o contato com a água de enchentes, com a lama da chuva ou áreas próximas a rios, que podem estar contaminadas com a bactéria da leptospirose, que apresenta fácil penetração na pele. É preciso vestir luvas e botas para lavar áreas que podem estar contaminadas. "Em Curitiba a leptospirose é muito grave. A doença afeta os pulmões e o clima da cidade favorece os problemas respiratórios", explica Ribeiro. Assim como nas propriedades rurais, os moradores do meio urbano devem guardar adequadamente os alimentos, não deixar o lixo aberto e manter os terrenos limpos, sem entulho ou mato alto.

Pelo menos 25 proprietários rurais de Campina Grande do Sul e Quatro Barras, ambas na região metropolitana de Curitiba, estão sofrendo com a infestação de ratos silvestres em suas terras. O fenômeno é conhecido como "ratada" e acontece durante o período de seca da planta taquara, uma espécie de bambu que serve de alimento para os roedores. Quando essa planta perde as sementes, os ratos procuram por comida nas casas e propriedades rurais. Diante da situação, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) enviou alerta aos demais municípios do Paraná. Por enquanto, nenhuma outra cidade registrou ocorrências.Neste ano, a seca da taquara coincidiu com a época em que os ratos estão mais ativos biologicamente por causa da reprodução e pelo nascimento de novos animais, o que provoca aumento na população desses bichos. O último registro de ratada no estado foi entre 2004 e 2005 nas regiões de União da Vitória, General Carneiro, Guarapuava, Irati, Pato Branco e Cascavel. Antes disso, o fenômeno havia sido registrado em meados da década de 70.

"É um inferno, os ratos atacam toda a ração para criação animal", reclama o proprietário rural Ivanir Zanela. Morador de Quatro Barras, em apenas um dia chegou a recolher mais de 30 ratos. Para conter o avanço dos animais, Zanela coloca ração em diversas áreas do sítio onde trabalha em Quatro Barras. O produto misturado com veneno fica exposto no paiol, no galinheiro, na estrebaria e no chiqueiro durante a noite, quando os ratos saem das tocas. Durante o dia, o chacareiro retira o produto para que os animais de criação não tenham contato com o veneno. Uma máscara é a única proteção usada por ele.

Zanela conta que o problema começou há cerca de um mês e meio, mas a mobilização dos demais produtores ganhou força há 20 dias. Ainda sem receber nenhuma visita da equipe da Vigilância Sanitária do município, ele acredita que conseguiu reduzir o número de animais na propriedade com o veneno. "Mas se sair com o carro por aí, você não vence de contar os ratos que estão na estrada", afirma.

Doenças

A grande preocupação das autoridades de saúde é a transmissão da hantavirose pelos ratos silvestres. O vírus é transmitido pela urina, fezes e saliva do animal em contato com os humanos e a doença afeta principalmente os pulmões e o coração. A forma mais comum de contágio é pela respiração, quando acontece a inspiração da poeira contaminada. A doença também é transmitida pelo contato de machucados com as excreções, pela ingestão de alimentos contaminados e pela mordida do rato infectado, que é a maneira mais rara.

A chefe da Divisão de Zoo­noses e Animais Peçonhentos da Secretaria de Saúde (Sesa), Gisélia Burigo Rúbio, ressalta que os cuidados dos proprietários são determinantes para impedir a aproximação dos ratos. "Os cuidados são fundamentais para afastá-los. Para isso é preciso evitar que os alimentos fiquem expostos", explica. Gisélia ressalta ainda que o uso de veneno deve ser feito com orientação dos órgãos de controle e que o produto deve ser registrado. "A Vigilância Sanitária faz o controle químico seguro. É preciso seguir as orientações", alerta. Ela também não recomenda a queima dos animais, que pode causar grandes incêndios, ou tentar matá-los a pauladas, pois as excreções podem respingar e acarretar a contaminação.

Nesta semana, equipes da Vigilância Sanitária dos dois municípios e da Sesa fizeram visitas a alguns proprietários. Os técnicos coletaram animais para verificar se os ratos estão ou não infectados com a hantavirose. Diagnosticada em 1992, a doença já registrou até hoje 198 casos no Paraná, com 71 mortes. Até 2004, o estado apresentava os maiores índices da doença no país. Com as medidas de controle adotadas após a última ratada, caiu para a terceira colocação.

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