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Habitação

Inscrições na Cohab crescem 40% após pacote

Programa federal “Minha Casa, Minha Vida” faz aumentar a procura pela casa própria em Curitiba. Nesta semana, devem ser assinados contratos para três novas construções no Paraná

Luíza foi atrás de informações no primeiro dia do programa: decepção com valor dos imóveis | Pedro Serápio/Gazeta do Povo
Luíza foi atrás de informações no primeiro dia do programa: decepção com valor dos imóveis (Foto: Pedro Serápio/Gazeta do Povo)

O número de inscrições feitas diariamente na Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab) aumentou em 40% desde o anúncio, no fim de março, do novo programa de habitação do governo federal "Minha Casa, Minha Vida". Antes do pacote de habitação, eram feitas, em média, 105 inscrições diárias na Cohab. Depois do anúncio, a média subiu para 148. Hoje, há 55.599 inscritos na fila. Pelo programa federal, 1 milhão de moradias (14% do déficit nacional) devem ser construídas para famílias com renda de até dez salários mínimos (R$ 4.650). Dessas, 44.172 devem ser feitas no Paraná, sendo 12 mil em Curitiba. Entre os benefícios – que variam de acordo com a faixa de renda familiar mensal – previstos pelo programa, estão: subsídios, um fundo garantidor para o pagamento das prestações em caso de perda da renda, redução de custo cartorial, juros reduzidos, barateamento do seguro, entre outros. Terão prioridade cidades com mais de 100 mil habitantes e, eventualmente, com mais de 50 mil. No Paraná, 49 cidades serão beneficiadas.

O "Minha Casa, Minha Vida" entrou em funcionamento, oficialmente, ontem. Concretamente, porém, ainda não há nenhum empreendimento que já esteja alocado dentro do programa no Paraná. De acordo com o superintendente regional da Caixa Econômica Federal, Celso Matos, a previsão é que nesta semana sejam assinados contratos para três empreendimentos. Outros já estão sendo estudados. "Quem já tem projeto andando sai na frente", diz Matos.

Dos empreendimentos que entram oficialmente no programa ainda nesta semana, dois serão destinados a pessoas que já estão inscritas na fila da Cohab e que tenham renda familiar de até três salários mínimos. A previsão é que as 48 unidades do Residencial Santa Mônica e outras 48 do Residencial São Francisco, localizados no Sítio Cercado, sejam entregues em dez meses. Cada um dos empreendimentos deve custar R$ 1,7 milhão, sendo R$ 35,5 mil cada unidade, aproximadamente.

O terceiro empreendimento que está prestes a entrar para o programa é localizado no bairro Fazendinha. O Residencial Rio Negro será destinado, prioritariamente, a famílias com renda entre 3 e 5 salários mínimos. Cada uma das 32 unidades custará R$ 54.250 e será negociada diretamente por meio de financiamento bancário da Caixa. Segundo o banco, como o empreendimento já estava em negociação antes mesmo do anúncio do novo programa de habitação, já conta com interessados para todas as unidades disponíveis.

Informações

De acordo com Matos, desde ontem, as agências da Caixa estão aptas a esclarecer dúvidas sobre o novo pacote habitacional. "Todas as nossas agências estão preparadas e capacitadas para dar informações", disse. A farmacêutica Luíza Lintzmaier Petiz, 31 anos, não perdeu tempo e, no primeiro dia de funcionamento do programa, procurou a agência Caixa da Carlos Gomes.

Para fugir do aluguel, Luíza está a procura de imóvel há seis meses. Sem uma poupança para a entrada, ficou animada com a possibilidade de financiar 100% do apartamento. Mas se decepcionou quando descobriu que, em Curitiba, o programa só abarca imóveis novos de no máximo R$ 100 mil. "Por esse valor, eu só encontro imóveis na periferia", afirma. Uma das opções pesquisadas por Luíza era um imóvel de 15 anos, no valor de R$ 130 mil. "Minha renda se encaixa dentro do programa, mas eu não consigo encontrar um apartamento novo de R$ 100 mil em um bairro que não seja de periferia. Tenho certeza que há famílias pulando de alegria com o programa, mas eu ainda me sinto excluída. Não vou conseguir sair do aluguel, por enquanto", diz.

Previsão de mais 3,5 milhões de empregos

O objetivo não é apenas atacar o déficit habitacional. O "Minha Casa, Minha Vida" promete movimentar a economia, ajudar o país a superar a crise, assegurar emprego e renda para os trabalhadores. De acordo com dados divulgados pela Caixa, a previsão é que 3,5 milhões de empregos formais sejam gerados em três anos com o pacote habitacional, sendo 800 mil em 2009, 1,6 milhão em 2010 e 1,1 milhão em 2011. "Esses novos empregos representam novas famílias em condições de adquirir suas moradias e esse processo se retroalimenta, ou seja, gera novos empregos e novas demandas", comentou a presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, por meio da assessoria de imprensa do banco.

Em todo o país, a Caixa Econômica Federal realizou no primeiro trimestre do ano financiamentos imobiliários na ordem de R$ 7 bilhões, com um crescimento de 119% sobre o mesmo período do ano passado, informou ontem o banco.

Serviço

No site da Caixa (www.cef.gov.br) é possível fazer simulação do financiamento. No portal há ainda cartilhas com informações do programa.

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