A investigação iniciada em agosto de 2005 pela Polícia Federal (PF) para investigar o assalto ao Banco Central de Fortaleza terminou com 122 presos e cerca de R$ 40 milhões recuperados de um total de R$ 164 milhões que foram roubados. Segundo o delegado Antônio Celso, responsável pelo inquérito, o crime é o segundo maior roubo já registrado no mundo. Os ladrões cavaram um túnel de cerca de 200 metros de extensão e com profundidade de cerca de quatro metros. Eles violaram cinco contêineres onde eram guardadas notas de R$ 50, recolhidas dos bancos para análise do estado de conservação.
Dos 36 bandidos identificados como envolvidos diretamente no crime (planejamento, escavação do túnel etc), quatro morreram e 26 foram presos. Outros dois morreram sem terem suas identidades confirmadas e quatro ainda estão foragidos. Segundo Antônio Celso, eles podem ser presos a qualquer momento, e a investigação terminou antes que eles fossem retidos porque não há mais trabalho de inteligência a ser feito.
A última prisão foi a do ex-prefeito do município de Boa Viagem (CE), Antonio Argeu. Ele voltava de uma viagem a Brasília quando foi surpreendido no aeroporto de Fortaleza. Nas últimas eleições ele concorreu novamente prefeitura da cidade pelo PMDB e ficou em terceiro lugar. Argeu teria dado R$ 100 mil quadrilha para financiar a escavação do túnel e por essa participação recebeu R$ 4 milhões.
Esse furto ao Banco Central acabou se transformando em um vetor de variados outros crimes associados a ele. Nós tivemos seqüestros, mortes e muito desse dinheiro foi usado para o tráfico de drogas, compra de armas e financiamento de outros crimes do mesmo modelo, aponta o delegado.
Segundo ele, outros assaltos a banco no mesmo formato - que estavam sendo planejados em Maceió (AL), Porto Alegre (RS) e Assunção, no Paraguai - foram evitados a partir das investigações da Operação Touperia. Em Porto Alegre foram 28 presos na escavação de um túnel, sendo que três deles também estavam envolvidos no roubo de Fortaleza. Cerca de sete policiais civis também foram presos por extorsão aos envolvidos no crime.
Os três bandidos que chefiaram o assalto tiveram destinos diferentes. Luiz Fernando Ribeiro foi morto, Antônio dos Santos, o Alemão, foi preso e Moisés da Silva continua foragido. Este último tem envolvimento em vários outros crimes e é o bandido mais procurado pela Polícia de São Paulo, segundo Celso.
Dos cerca de R$ 50 milhões recuperados, R$ 20 milhões foram em espécie e o restante por bens confiscados. É muito difícil que possamos recuperar mais. Quanto mais tempo passa, mais difícil é recuperar porque o bem levado é bastante volátil, é dinheiro vivo. Quando falamos em R$ 50 milhões de um total de R$ 164 [milhões] as pessoas acham que é pouco, mas diante do que isso representa em valores, é uma das maiores apreensões que a PF fez em todos os tempos, explica Celso.
A operação, que é considerada uma das maiores já realizadas pela PF, mobilizou de 200 a 300 policiais. Pelo grande número de envolvidos no crime, a polícia dividiu o proceso em células e grupo de investigações. A tática foi usada para preservar o sigilo da investigação e acelerar o julgamento. Ao total, os bandidos foram separados em 13 células, de acordo com o envolvimento de cada membro no crime.
Se fosse tudo em um mesmo processo, o primeiro advogado de defesa de um dos indiciados ia ter acesso ao restante dos nomes dos investigados, aos detalhes das investigações e tudo estaria comprometido, explica Celso.







