Bastante dependente de Itaipu, o Sistema Interligado Nacional (SIN) precisa de ajustes para que o problema que causou o apagão não se repita. "O efeito dominó tem solução. Não vamos condenar o sistema agora, porque ele tem muitas vantagens", diz Niromar Resende, professor da UFPR. Segundo ele, é possível aprimorar a operação para que ela isole áreas do país que ficariam estáveis mesmo sem a energia de Itaipu. "Com isso, ficaria mais rápido para fazer o sistema voltar a funcionar."
Durante o apagão, o Sul do país funcionou como uma dessas "ilhas". A principal ligação entre o Paraná e São Paulo são três das cinco linhas de transmissão de Itaipu. Por elas, o estado recebe e manda energia para o Sudeste. Na noite de terça-feira, quando as linhas caíram, o sistema do Sul ficou praticamente isolado do Sudeste, com algumas linhas de pequeno porte em operação. A oscilação no Paraná foi pequena. Faltou luz por menos de dez minutos em União da Vitória, Rio Azul e Cascavel. Outras cidades do Oeste, como Leópolis e Sertaneja, ficaram sem energia até perto da meia-noite. Em Curitiba, faltou luz em 15 bairros por causa da chuva.
"A Copel não está isolada, depende do sistema, mas o Sul foi mais protegido do que o Sudeste", diz o presidente da companhia, Rubens Ghilardi. Em média, Itaipu responde por 12% do abastecimento do Paraná, mas as usinas instaladas no estado dão conta de produzir mais do que a região consome e substituíram rapidamente o fluxo que vinha de Foz do Iguaçu.
Termelétricas
Segundo especialistas, o acionamento de termelétricas ociosas não é uma solução para um apagão como esse. Essas usinas levam tempo para ser acionadas e provavelmente não segurariam o fornecimento a tempo de evitar a reação em cadeia que derrubou outras usinas. No total, o sistema ficou sem o fornecimento de 28 mil MW, por causa do "efeito dominó".
"Seria necessário ter geração em volume igual ao de Itaipu pronta para entrar no sistema. As usinas a gás levam 15 minutos para entrar em funcionamento, por exemplo", diz Ewaldo Mehl, coordenador do curso de Engenharia Elétrica da UFPR. "Uma opção seria ter mais usinas nucleares, que podem ficar prontas para operar em caso de emergência."



