Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
conflito agrário

Justiça condena quatro sem-terra por morte de policiais

Crime ocorreu há 22 anos no Oeste do Paraná e só agora os réus foram sentenciados, mas poderão recorrer em liberdade

Quatro integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) foram condenados a 18 anos de prisão em regime fechado pela morte de três policiais militares durante uma invasão de terras em uma propriedade rural em Campo Bonito, no Oeste do Paraná. O crime ocorreu em março de 1993 e só agora Ademir Mota de Oliveira, Dourival de Melo Alves, Sebastião Silvano e Lourival Castilho Pimentel foram julgados. Apesar da condenação, eles poderão recorrer das sentenças em liberdade.

O julgamento ocorreu na segunda-feira (11) no 1.º Tribunal do Júri em Curitiba e só terminou durante a noite. Em março do ano passado, o júri chegou a ser marcado no fórum de Guaraniaçu, no Oeste, onde o processo tramitou, mas os réus e os advogados de defesa não apareceram.

O pedido da transferência do julgamento para a capital foi feito pelos defensores dos réus que alegaram falta de segurança em Guaraniaçu. Para a defesa, poderia haver risco à ordem pública em razão da animosidade existente entre a Polícia Militar e integrantes do MST. Os advogados temiam que integrantes do MST se concentrassem em frente ao fórum.

Os sem-terra são suspeitos de matarem os policiais Vicente de Freitas, Algacir José Bebber e Adelino Arconti, que, por trabalharem no serviço reservado da PM, estavam sem os uniformes da corporação no momento em que foram até a área invadida. Eles foram até a fazenda para acompanhar a remoção de máquinas, mas acabaram confundidos com jagunços.

Repercussão

O caso teve repercussão internacional porque cinco dias após as mortes dos policiais o líder sem-terra Diniz Bento da Silva, conhecido como Teixeirinha, foi morto por 14 policiais militares numa suposta vingança. A execução de Teixeirinha rendeu ao Brasil uma condenação na Organização dos Estados Americanos (OEA) por violação ao direito à vida. Após passar cinco dias foragido e sendo cassado pela polícia, Teixeirinha foi encontrado e morto a tiros.

O processo sobre a morte de Teixeirinha corre no fórum de Guaraniaçu e tem 14 policiais militares como réus. O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), no entanto, suspendeu liminarmente o andamento do processo por entender que os policiais estavam no restrito cumprimento do dever legal quando Teixeirinha foi morto.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.