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Crise no Rio

Justiça manda libertar os 439 bombeiros presos

Os militares detidos no quartel de Charitas, em Niterói, comemoram a decisão: festa vermelha | Wilton Junior/AE
Os militares detidos no quartel de Charitas, em Niterói, comemoram a decisão: festa vermelha (Foto: Wilton Junior/AE)

A Justiça do Rio de Janeiro mandou soltar os 439 bombeiros presos desde o último sábado por invadir o Quartel Central da corporação, em protesto por melhores salários e condições de trabalho. O desembargador Cláudio Brandão de Oliveira, do plantão judiciário do Tribunal de Justiça, concedeu habeas-corpus aos militares, na madrugada de ontem. Uma pane no sistema de digitalização de documentos da Auditoria da Justiça Militar do Estado, porém, atrasou a libertação dos militares, que não haviam sido soltos até a noite.

Entre os motivos enumerados para soltar os militares estão a carência de condições dignas nas instalações onde eles estavam presos e a falta de documentação pertinente. O pedido foi solicitado pelos deputados federais Alessandro Molon (PT-RJ), Dr. Aluizio (PV-RJ) e Protógenes Queiroz (PCdoB-SP).

"Sabe-se que muitos estão presos em quadra de esportes ou em espaços reduzidos que não foram preparados para receber militares presos", disse Oliveira na decisão. "As péssimas condições onde são mantidos os presos é fato relevante que será levado em consideração na apreciação da liminar."

Vitória

A decisão foi considerada uma vitória pelo movimento grevista. Parentes dos bombeiros se reuniram desde o início da manhã na frente do quartel de Charitas, em Niterói, na região metropolitana do Rio, para aguardar a saída dos presos.

A tendência é de que a categoria só volte a negociar reajustes salariais depois que todos os detidos forem anistiados nas esferas criminal e administrativa. "Não faria sentido discutirmos salários se esses bombeiros correm o risco de serem expulsos da corporação logo depois", disse o capitão Lauro Botto.

Para o governo do Rio, a libertação dos bombeiros pode simbolizar o fim da crise que começou há pouco mais de dois meses nos postos de salvamento e quartéis e que passou a contar com maior apoio da população desde as prisões. Em um claro recuo, o governador Sérgio Cabral (PMDB) disse que a invasão do Quartel Central é "episódio superado".

Cabral afirmou que os procedimentos disciplinares contra bombeiros serão avaliados "caso a caso" pela Secretaria de Defesa Civil, pasta criada na última quinta-feira. "Será dado o amplo direito de defesa a eles. Temos que separar o nível de envolvimento, de participação de cada um", disse o governador.

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