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Infra-estrutura

Licitação atrasa e lixo se acumula no litoral

Governo contrata empresa em caráter emergencial para resolver o problema e promete que até amanhã a coleta estará normalizada

O lixo no chão atrai cachorros, que pioram a situação arrebentando e arrastando os sacos | Felipe Lessa/Gazeta do Povo
O lixo no chão atrai cachorros, que pioram a situação arrebentando e arrastando os sacos (Foto: Felipe Lessa/Gazeta do Povo)

Curitiba e Pontal do Paraná - Há dez dias os municípios do litoral do Paraná estão sem coleta de lixo, que se acumula na frente das residências e do comércio. O problema foi causado pelo atraso na licitação do lixo.

O governo estadual decidiu contratar em caráter emergencial, sem licitação, a empresa paulista Leão e Leão para recolher o lixo na temporada. O valor do contrato é de R$ 5 milhões, com validade de 78 dias. O valor engloba o trabalho de 600 funcionários e o aluguel de 40 caminhões. De acordo com o secretário estadual do Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, a empresa contratada começou a recolher o lixo na manhã de ontem e a situação deve ser regularizada até amanhã.

Na temporada, a responsabilidade pelo serviço é transferida das prefeituras para a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema). Segundo Rodrigues, as empresas paranaenses apresentaram propostas apenas no pregão de 15 de dezembro. Nos pregões anteriores – de 18 de novembro e 4 de dezembro – não houve propostas. Além disso, ressalta Rodrigues, os valores apresentados pelas empresas concorrentes eram 10% acima do previsto pelo orçamento do estado.

"Não fomos nós que criamos essa situação. Tivemos que adotar essa medida emergencial em virtude do boicote nos pregões e pela situação em que se encontravam as cidades do litoral", afirma o secretário.

Brigas

Em Pontal do Paraná, o lixo acumulado nas ruas tem causado atrito entre os moradores. "O rapaz da casa ao lado fala que largamos o lixo na calçada dele, o que é mentira. É a cachorrada que arrasta, mas ele não entende", reclama o comerciante Johnny Pereira, 27 anos, que mora em Mangue Seco, em Pontal do Sul.

No balneário Grajaú, para evitar os transtornos, os moradores fizeram um acordo para dividir as cestas de lixo, como conta o aposentado Delmiro Gomes, 55. "É lamentável que se precise tomar tal atitude. Só que se deixarmos o lixo no chão, os cachorros rasgam tudo e se cria mais sujeira e problemas. Assim, aquele que não tem lixeira em casa pode usar a do vizinho", explica.

Comerciantes chegam a contratar serviço particular de remoção do lixo. "Como nossa fachada é o grande cartão de visita, vamos manter o procedimento até que regularizem a coleta, afinal, o fedor também espanta clientes. É triste isso, pois nós pagamos impostos em dia e agora temos que gastar mais", lamenta Fábio Oliveira, vendedor de uma loja de materiais de construção em Pontal do Sul.

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