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Segurança

Litoral enfrenta “maré alta” de criminalidade na baixa temporada

Cruzamento de dados revela que índices de violência não sofrem queda proporcional à redução da população flutuante na região

Estatísticas são mais baixas durante a Operação Verão, quando o policiamento é intensificado | Valterci Santos/Gazeta do Povo
Estatísticas são mais baixas durante a Operação Verão, quando o policiamento é intensificado (Foto: Valterci Santos/Gazeta do Povo)
Veja que Mapa do Crime mostra redução de ocorrências policiais |

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Veja que Mapa do Crime mostra redução de ocorrências policiais

Fora da temporada, a população dos seis municípios do litoral do estado – Paranaguá, Guaratuba, Matinhos, Pontal do Paraná, Morretes e Guaraqueçaba – praticamente cai para um quarto. Passa dos cerca de 990 mil, segundo contagem feita no último verão pela Secretaria de Estado do Turismo, para 251 mil (número de habitantes apontado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Já os crimes contra a pessoa e contra o patrimônio caem, respectivamente, 9% e 21%. O cálculo baseia-se no Mapa da Violência de 2008, divulgado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).

Segundo as estatísticas da Sesp, 909 crimes contra a pessoa foram registrados no primeiro trimestre de 2008, quando o policiamento no litoral foi intensificado por causa da Operação Verão. Já nos três trimestres seguintes, com uma população três vezes menor, a média foi de 826 crimes por período. De janeiro a março de 2008, o litoral registrou 1.702 crimes contra o patrimônio, contra uma média de 1.346 nos trimestres seguintes.

Moradores e comerciantes reclamam da ausência de policiamento. E essa impressão não é sem fundamento. Segundo o capitão Everaldo Vicente Souza, da Comunicação Social da PM, o 9º Batalhão tem 316 policiais para atender os seis municípios. A proporção é de um policial para cada grupo de 791 habitantes – abaixo da média do estado, de um policial para 531 habitantes. Mesmo assim, diz o capitão, o número de policiais é superior ao previsto na Lei Orgânica no Estado, que prevê 292 policiais militares para a região.

Nos últimos 15 dias houve ao menos seis crimes em Guaratuba, com população de 34 mil habitantes. A cidade também tem altos índices de homicídio. Mas, de acordo com o delegado da cidade, Messias Antônio da Rosa, terceiro a ser nomeado para o cargo só neste ano, índices de criminalidade existem em todo lugar do mundo. "Não haverá efetivo de polícia suficiente para zerar os crimes. Tivemos 15 homicídios neste ano na cidade, mas todos se referem a traficantes. O que a população preferia?"

Quanto aos assaltos ocorridos nos últimos dias, Rosa diz que eles também fazem parte da realidade. "Nós temos 72 presos em uma cela onde cabem 24. Metade de nosso efetivo está cuidando de detentos, distribuindo marmitas e não pode atender as ocorrências. Esse é um caso que acontece em toda delegacia do Brasil. Não dá para escapar dessa realidade", afirma.

A presidente da Associação Comercial e Industrial de Guaratuba, Edna Aparecida de Souza, discorda. Segundo ela, nunca se viu um quadro de criminalidade tão assustador no município. Edna deve se reunir com a prefeita Evani Justus (PSDB) e pedir providências. Pretende, ainda, solicitar uma audiência dos municípios do litoral com o secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, para que ele explique por que a PM de Guaratuba só dispõe de uma viatura.

Embora não saiba o número exato de viaturas, o capitão Everaldo diz que ele é maior. "Se isso tiver ocorrido, é porque as outras viaturas tiveram algum problema técnico, mas isso geralmente é resolvido rapidamente", disse. Segundo ele, no litoral há maior concentração do efetivo em Paranaguá, mas a região dispõe também de um grupo itinerante que participa de ações pontuais nos seis municípios litorâneos.

Mais reclamações

Em Matinhos, a delegacia de polícia vive um drama desde que presos de Pontal do Paraná foram transferidos para lá. Hoje, há 47 detentos onde cabem 10. Ainda assim, o delegado José Tadeu considera tudo natural. "Houve várias ocorrências, mas isso é um problema nacional, não é exclusividade de Matinhos ou Caiobá". Tadeu não fala em índice de criminalidade, mas se vangloria ao menos de um fato: "Há mais de um ano não ocorrem fugas na cadeia de Matinhos".

Já o delegado de Pontal do Paraná, José Antônio Zuba de Oliva, viu nos últimos meses as delegacias de Ipanema, em Praia de Leste, em Pontal do Paraná, serem reformadas e embargadas. O reflexo disso, segundo ele, foi a diminuição de ocorrências no município, de 72 para 32 por mês. "Creio que essa queda foi causada pelo maior número de policiais nas ruas, uma vez que os presos foram transferidos e os policiais não ficaram em desvio de função."

Sobre a criminalidade, o delegado filosofa: "A polícia é o lixeiro da sociedade. Muita gente não gosta que eu diga isso, mas a função da polícia é essa: tirar o lixo da sociedade e tentar reciclar". Zuba defende ainda a compra de viaturas mais adequadas para circular nas praias. "A areia fina e o sal provocam um desgaste muito grande das peças. Precisamos de veículos off-road que não atolem e permitam a perseguição ao bandido. Não precisa ser um Frontier ou um Hylux. Um Toyota Bandeirante está de bom tamanho."

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