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Música

Luteria é herança de pai para filho

Interesse pelo ofício surgiu da observação do trabalho do pai

Aparelhos de GPS estão com o preço em queda e se popularizando | Reprodução/Globo Online
Aparelhos de GPS estão com o preço em queda e se popularizando (Foto: Reprodução/Globo Online)

Telêmaco Borba – O primeiro instrumento que Wendell de Freitas construiu foi um violino. Mas a aptidão para a luteria, fabricação de instrumentos de madeira, começou muito antes, graças à influência do pai, Sebastião Antônio de Freitas, 48 anos, que também é lutier. "Quando eu era criança, lembro de tirar o elástico das roupas da minha mãe para usar como cordas", conta. A paixão pela música transformou a vida desses dois moradores de Telêmaco Borba. O primeiro violino que seu Sebastião construiu foi para uso próprio. Isso porque ele não podia pagar por um instrumento de qualidade. Então entrou em contato com um lutier de Tatuí, São Paulo, que forneceu as únicas instruções que ele recebeu sobre esse ofício em toda sua vida. Vendo o pai construir violinos, Wendell se interessou pela arte e buscou aprender e se aperfeiçoar.

Para a construção de uma réplica de um Stradivarius 1728, ou de qualquer outro instrumento, é preciso um mapa que especifica a espessura de cada parte do violino e a curvatura que ele deve ter para que o músico consiga o melhor resultado quando tocar. "Luteria é técnica", afirma Freitas, que também dá aulas de Matemática.

Um violino leva cerca de 200 horas – ou três meses – para ficar pronto. O processo é delicado e necessita de muita sensibilidade para fazer os ajustes na madeira até torná-la ideal para a propagação do som. Freitas é capaz de perceber a diferença de um semi-tom da madeira. Mas não é a audição o principal sentido de um bom lutier. Segundo Freitas, é no olhar apurado que se percebe a qualidade de um bom criador. "É preciso conseguir ver as simetrias, a bombatura (curvas), a suavidade dos arcos", exemplifica.

Diferencial

Apesar da exatidão nas medidas, que precisam de ajustes milimétricos, Freitas concorda que a mão do lutier faz a diferença no resultado. "Um violino feito pelo meu pai fica com um som diferente do que um violino, com as mesmas medidas, feito por mim", confessa. Wendell estuda acústica e é reconhecido nacionalmente como lutier, atendendo a encomendas que chegam de músicos de Manaus, São Paulo e Curitiba, mas admite que os violinos do seu pai, que nunca estudou, são os melhores. "Ainda quero que meu pai construa um violino para mim", assume.

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