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Mãe e filha se reencontram depois de 24 anos em Curitiba

Taciane deu à luz em 1988, aos 16 anos de idade, mas, sem condições financeiras, "doou" a filha Patrícia. Após investigação da CPI do Tráfico de Pessoas, as duas se reencontraram em Curitiba

Taciane se reencontra com a filha Patrícia | Aniele Nascimento/Agência de Notícias Gazeta do Povo
Taciane se reencontra com a filha Patrícia (Foto: Aniele Nascimento/Agência de Notícias Gazeta do Povo)

O abraço demorado e choroso parecia unir duas pontas de uma lacuna separada por mais de duas décadas. A mãe Taciane, de 40 anos, revia a filha Patrícia, 24, depois de tê-la abandonado em Curitiba. O reencontro ocorreu na manhã de ontem, na casa de Patrícia, no bairro Cajuru. A mãe, que vive em Garibaldi, no Rio Grande do Sul, foi localizada graças ao Trabalho da CPI do Tráfico de Pessoas.

"A gente vai manter contato para sempre. Vamos juntar as duas famílias em uma só", disse Taciane, enxugando as lágrimas.

O reencontro pôs fim à angústia da senhora. Apesar disso, era inevitável pôr o dedo em feridas e rever episódios doloridos. Taciane deu a luz a Patrícia em 1988, em Concórdia, Santa Catarina. Após mudar-se a Curitiba, ela e o pai da menina se viram em dificuldades financeiras. A inexperiência e a certeza das privações que enfrentariam a "doar" a criança para alguém que pudesse dar-lhe "vida melhor". Assim, Patrícia foi entregue a um "intermediador" nas portas de um hotel no Centro.

"Nunca me esqueci do último sorriso que ela deu, quando a entreguei. Eu sonhava com aquele sorriso", suspira a mãe.Por outro lado, o abraço parece ter juntado a peça que faltava à história de Patrícia. Apesar de buscar "respostas" pelo abandono, a moça de sorriso constante diz ter perdoado a mãe e parece disposta à nova vida de reaproximação. "Só quem viveu é que pode saber o que passou e os motivos que teve. Eu a perdoo pelo que aconteceu", disse. "Agora, a família aumentou", observou, em seguida.

Após ter sido entregue na porta de um hotel, Patrícia foi adotada pela camareira. Ela e o marido registraram a criança em cartório, como se fosse sua filha biológica – procedimento conhecido como "adoção à brasileira".

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