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escolas estaduais do Paraná

Maior parte do orçamento para obras de reparo é gasto com vandalismo

Das 2.173 escolas estaduais, a maioria já sofreu com o vandalismo, as vezes praticado pelos próprios alunos. Em 2008, estado gastou R$ 28 milhões para arrumar depredações

Todas as paredes externas da escola no Bairro Alto haviam sido pichadas | Priscila Forone/Gazeta do Povo
Todas as paredes externas da escola no Bairro Alto haviam sido pichadas (Foto: Priscila Forone/Gazeta do Povo)

Uma noite de baderna e vandalismo, com tintas usadas para pichar uma escola inteira. O Colégio Estadual Professor Algacyr Munhoz Maeder, no Bairro Alto, em Curitiba, foi depredado na madrugada do dia 10 de julho. Três adolescentes, dentre eles um aluno da própria escola, foram identificados como os autores do crime. Como punição, os três jovens tiveram que comprar tintas e pintar novamente toda a escola. "Só gastamos dinheiro, só deu prejuízo", reconheceu o aluno que praticou as pichações. Em todo o Paraná, no ano de 2008, o governo gastou R$ 28 milhões em pequenos reparos, a maior parte causados por depredação.

O aluno da escola Munhoz Maeder, que tem 17 anos e não será identificado pela reportagem, e os dois amigos tiveram que tirar dinheiro do bolso para consertar os estragos que causaram. A escola tinha sido pintada por um mutirão feito pelos próprios funcionários e na madrugada do dia 10 foi invadida e pichada. No retorno das férias, na quarta-feira passada (22), os 1.500 alunos viram todas as paredes pintadas e nenhum sinal de pichação nas paredes.

Demonstrando arrependimento e vergonha, o aluno de 17 anos garantiu que não fará novas pichações na escola. As tintas para a pintura do colégio foram parceladas e todo mês os três jovens terão que pagar a dívida. "No mesmo dia eu assumi o erro. Estou arrependido do que fiz. Você tem que errar para aprender, já parei com essas coisas", garantiu o adolescente.

A situação de vandalismo, no entanto, não é exclusividade da escola do Bairro Alto. A maior parte das 2.173 escolas estaduais do Paraná sofre ou já teve algum caso de vandalismo. No início do ano, a Escola Estadual Lincoln Setembrino Coimbra, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, teve os vidros quebrados e as carteiras danificadas.

No Colégio Estadual Marli Queiroz de Azevedo, localizado na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), alguns alunos usaram carteiras e mesas para escorregarem pelas escadas e corredores. Os atos de vandalismo foram filmados pelos próprios estudantes e as imagens foram colocadas na internet.

Conscientização como arma

A diretora Yasodara Hayashi, do Colégio Estadual Professor Algacyr Munhoz Maeder, afirmou que os alunos mais velhos da escola estão mais conscientizados sobre os prejuízos que o vandalismo traz para o colégio. "Ainda temos que supervisionar os alunos da tarde, de 5.ª a 8.ª série. Alguns desses jovens querem aparecer para os outros estudantes, confrontam os professores e têm dificuldades em aceitar regras", explicou Yasodara.

Ela explicou que não expulsou o aluno que pichou a escola porque ele assumiu o erro e pagou pelo que fez. "Conversamos bastante e todos os outros estudantes sabem quem cometeu o ato de vandalismo", disse. Para a diretora de administração escolar da Secretaria Estadual da Educação (Seed), Ana Lúcia Albuquerque Schulhan, o problema do vandalismo também envolve a educação que as crianças recebem em casa. "Há uma acomodação dos pais, achando que a escola vai resolver tudo", explicou Ana Lúcia.

Segundo Ana Lúcia, a Seed não tem como contabilizar quanto é gasto com vandalismo, mas existe uma estimativa. O dinheiro reservado no orçamento para situações não previstas, como incêndios, enchentes, normalmente é usado para atender depredações nas escolas. "No ano passado foram gastos R$ 28 milhões em pequenos reparos de atendimentos emergenciais. A maior parte foi caracterizada por atos de vandalismo. É muito dinheiro", explicou Ana Lúcia. O orçamento da educação básica para 2008 foi de R$ 2,67 bilhões. O gasto com o vandalismo atingiu cerca de 1% desse orçamento.

Dinheiro gasto duplamente

A diretora de administração afirma que quando são comprados móveis para as escolas, como cadeiras e carteiras, por exemplo, é feita uma previsão de quanto tempo os mobiliários vão ser usados. "Uma carteira que era para durar seis anos e já no primeiro dia de utilização foi usada de forma inadequada, riscada ou lascada, teremos que gastar mais dinheiro comprando novamente. É um gasto duplo", afirmou.

Ana Lúcia disse que esse recurso poderia ser usado na aquisição de novos equipamentos, viagens e atividades extracurriculares. "Alguns poucos alunos desrespeitam o direito de muitos. A solução para isso é a educação e grande parte dessa educação é de responsabilidade da família. Como o estudante vive em casa se reflete no comportamento escolar. O segundo ponto é termos rigor na escola", definiu.

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