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Rota do contrabando

Margem de lucro estimula atividade

A margem de lucro é o fator que leva o cigarro fabricado no Paraguai a ser tão atrativo para o contrabando. Segundo a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), no Paraguai o cigarro mais barato custa R$ 0,08 enquanto que no Brasil o preço chega a R$ 2. "Eles têm margem grande para operar e vender", diz o representante da ABCF, Luciano Stremel. Estimativas da ABCF indicam que a indústria brasileira e o erário público perdem R$ 3 bilhões ao ano com o contrabando de cigarro paraguaio.

Para atender o mercado ilegal brasileiro, hoje há 36 fábricas de cigarros instaladas no Paraguai, país de 6 milhões de habitantes, boa parte no município de Hernandárias, próximo a Foz do Iguaçu. No Brasil, que tem 190 milhões de habitantes, o número de fábricas não passa de oito.

A localização das fábricas paraguaias é estratégica. Hernandárias fica perto de portos clandestino usados para transportar o cigarro até o lado brasileiro.

A maior parte da mercadoria chega ao Brasil via barco. São inúmeras viagens feitas durante a noite em vários pontos dos 220 quilômetros de extensão do Lago de Itaipu. Após atracar no lado brasileiro, a mercadoria geralmente é colocada em caminhões para ser levada aos municípios-depósitos.

Mas o que chama atenção nesse transporte é a estrutura e logística. Uma rede de informantes que atua desde a barranca do Rio Paraná monitora todo o transporte até o destino final. A rota é monitorada com ajuda de radiocomunicadores. A polícia e a Receita já chegaram a encontrar rádios camuflados no ar-condicionado dos carros que carregavam a mercadoria. Assim, quando a polícia parava um veículo para fiscalização, o botão do rádio era acionado e ficava ligado para o restante da quadrilha acompanhar em tempo real o que estava acontecendo.

A ABCF também mapeou o modo de funcionamento das quadrilhas, cuja estrutura é composta por chefes (geralmente ligados às fábricas de cigarros no próprio Paraguai); gerentes (coordenam a venda e a distribuição de cigarro no Brasil); transportadores (às vezes terceirizados, atuam exclusivamente no transporte da mercadoria e geralmente fazem acertos com policiais para liberar a passagem dos veículos nas rodovias) e passadores (responsáveis por levar a mercadoria do Paraguai ao Brasil). (DP)

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