Maringá - Maringá chegou ontem à marca de 25 dias sem homicídios. O último caso, segundo a assessoria de imprensa da PM, ocorreu no dia 7 de junho, após briga entre dois homens na região do Parque Industrial.
A marca é incomum para o município. Até o início da noite de ontem, Maringá registrou 28 homicídios no ano, número parecido com o de 2008 e que resulta em uma média de um homicídio a cada seis ou sete dias. De acordo com os dados da PM, até o início de julho de 2008 a cidade havia registrado 27 homicídios. Se a tendência for mantida, o município deve chegar ao fim do ano contabilizando cerca de 50 homicídios 2008 terminou com 48 assassinatos na cidade.
Para a coordenadora do Núcleo Local do Observatório das Metrópoles, Ana Lúcia Rodrigues, essa taxa põe Maringá em posição privilegiada. "Na comparação com os demais polos de região metropolitana, Maringá tem índices de violência melhores", afirma, mostrando-se, porém, preocupada com a rápida ocupação demográfica da zona norte. "Isso pode ser um propulsor da violência, pois em breve o município não terá mais espaço para construir hospitais, escolas e outros serviços de necessidade básica, fundamentais para combater a violência."
O tenente Alexandro Gomes, responsável pela Comunicação Social da PM, afirma que não é possível apontar uma explicação para a redução de assassinatos, já que a polícia não fez operações extraordinárias nesse período. "Tentamos evitar a ocorrência desses casos por meio de operações policiais que diminuam o número de armas em circulação, mas, dependendo da motivação, especialmente se for passional, não há como evitar", afirma.
Mau tempo
Uma explicação possível para o fato está no tempo: Maringá teve muitos dias frios e chuvas nas últimas três semana. O professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Francisco Mendonça escreveu um livro em que relaciona estes dois fatores: tempo ruim e queda de criminalidade. Segundo o estudo, em dias de frio as pessoas passam mais tempo em casa, expondo-se a menos riscos.
A coordenadora do Núcleo Local do Observatório das Metrópoles Ana Lúcia Rodrigues afirma que, para reduzir a ocorrência de crimes na cidade, é preciso, além da repressão, fazer investimentos em qualidade de vida. "É obrigação do Estado", ressalta. "A repressão tem se mostrado necessária, mas sozinha não resolve. É preciso investir na criação de espaços de convivência coletiva, com atividades de lazer, esporte e cultura. Isso deixa os jovens menos suscetíveis à influência da rua e, portanto, da violência."
Nas últimas três semanas, a prefeitura inaugurou três obras do gênero na cidade: um centro esportivo e a quadra coberta de uma escola no distrito de Iguatemi, e um ginásio esportivo no Jardim Catedral. O município tem ainda diversos espaços ao ar livre, como os parques do Ingá (este fechado momentâneamente), do Japão e das Palmeiras.
A maioria dos homicídios em Maringá ocorre nos fins de semana. Em alguns deles foram registrados mais de um assassinato, como nos dias 23 e 24 de maio, quando dois jovens foram mortos na cidade uma adolescente em uma boate da região central e um rapaz em um bar.







