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Maringá

Médico é preso por venda irregular de remédios para emagrecer

O clínico geral atuava nas cidades de Maringá, Umuarama e Cascavel

O Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) de Maringá prendeu em flagrante nesta quinta-feira (14), um médico acusado de receitar e vender irregularmente medicamentos controlados para emagrecimento. José Carlos Ramires foi preso quando chegava ao seu consultório localizado num edifício comercial no centro de Maringá, e com ele foram encontrados 16 frascos de remédios. Simultaneamente, outros seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Cascavel, Cianorte e Umuarama, cidades onde o médico também atuava.

Além de não poder vender medicamentos, atribuição exclusiva de farmacêuticos, o clínico geral é suspeito também de vender receitas. "As pessoas ligavam e ele deixava a receita pronta mesmo sem consulta. Depois passavam no consultório pra pegar", disse o investigador do Nurce, Marcos Assis Gonçalves. O preço cobrado pelas receitas era de cerca de R$120. No consultório os agentes encontraram uma lista de pacientes com centenas de nomes.

Os medicamentos não são ilícitos, mas a comercialização só é permitida com receitas numeradas que devem ser recolhidas pelo farmacêutico. Outra irregularidade é a combinação de medicamentos que Ramires prescrevia, onde o paciente tomava anorexígenos e antidepressivos. De acordo com Natal Domingos Gianotto, médico e diretor regional do Conselho Regional de Medicina (CRM)em Maringá, existe uma determinação regulamentar da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que proíbe a combinação desses remédios.

Segundo Gianotto, os anorexígenos são receitados para pessoas com obesidade mórbida e atua como inibidor de apetite. O uso pode causar depressão e os antidepressivos servem para contrabalancear, mas essa combinação acarreta risco comprovado para os pacientes. "Os antidepressivos podem gerar dependência e os anorexígenos deixam o organismo vulnerável e sujeito a algumas infecções", explicou.

Alguns exemplos desses medicamentos são Anfepramona, Femproporex e Fluoxetina, remédios encontrados com o médico preso.

Funcionários foram encaminhados para as delegacias das cidades para prestar esclarecimentos, mas ainda não há provas do envolvimento de outras pessoas. Nas demais clínicas onde Ramires trabalhava, a polícia também encontrou medicamentos de uso controlado. Duas farmácias de manipulação de Maringá também serão averiguadas sobre envolvimento com o esquema.

Ramires deve ser indiciado por tráfico de drogas, com pena prevista de cinco a 15 anos de reclusão. Ele também será submetido ao Conselho de Ética do CRM, podendo ter seu registro profissional suspenso ou cassado.

O defensor público indicado para acompanhar a operação não quis falar sobre o caso porque não sabia ainda se continuaria no caso como advogado do médico.

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