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Ferrovia Norte-Sul

Projeto de linha férrea coloca Maringá e Londrina em disputa pela obra

Ferroeste comanda os trabalhos prefere rota por Maringá; Ministério dos Transportes sugere Londrina

A recém-criada Ferrosul iniciou o processo de captação de recursos para construção da ferrovia Norte-Sul, no trecho paranaense, o que logo de cara acendeu a velha rivalidade entre Londrina e Maringá. As duas cidades terão que disputar por onde o traçado deverá passar. Maringá tem a preferência da Ferroeste, que comandará os trabalhos. "Quanto mais a oeste (passar o ramal) melhor, pois precisamos desenvolver o interior do estado e do país", disse Samuel Gomes, presidente companhia. Londrina era a preferida do Ministério dos Transportes, mas a ideia ficou praticamente superada após reunião entre as lideranças, realizada nesta quarta-feira (24), em Brasília.

A Ferroeste pretende apoiar a realização de traçado alternativo da ferrovia Norte-Sul, no trecho em que a estrada de ferro cortará o Paraná. Em dezembro, o Ministério dos Transportes apresentou à Ferroeste, um "ensaio de traçado", que passaria por Londrina e Guarapuava. Contudo, a estatal paranaense defende a construção passando por Maringá e Campo Mourão. O ponto final do ramal seria Laranjeiras do Sul. Quem não gostou nada disso foi o prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT). Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (25), ele reclamou o fato de perder essa obra para Maringá, "assim como já perdemos o gasoduto", disse.

A definição de adotar o novo traçado no momento da elaboração do projeto foi definida em reunião da recém-criada Ferrosul com a presidência da Valec Engenharia, Construções e Ferrovia, estatal federal ligada ao Ministério dos Transportes, nesta quarta-feira (24). Barbosa Neto disse ainda que tentará reverter o quadro, pois considera essa uma conquista grande para Londrina. Ainda não há prazo para o fechamento dos convênios.

O ensaio de traçado idealizado pelo Ministério começaria em Panorama, divisa entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, entraria no Paraná pela região de Londrina, seguiria até Guarapuava, terminando em Pato Branco. A contraproposta da Ferroeste prevê entrada no estado pela região de Maringá, Campo Mourão e finalizando em Laranjeiras do Sul. Após essa etapa, outra fase seria a ligação até Chapecó (SC), e em seguida Erechim (RS). O projeto da Ferrosul - formada pelos estados de do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul – de interligar os estados por meio de linhas de trem ganhou simpatia do governo federal e deve ter orçamento incluído nas obras do Programa de Aceleração do Cresciemento (PAC).

Segundo Gomes, a preferência não é por Maringá, mas por Campo Mourão. "Eu defendo que passe por Campo Mourão, já que ali está a Coamo, a maior cooperativa da América Latina". A Ferroeste teria, segundo o presidente, desenvolvido um projeto de viabilidade econômica que aponta esse traçado como mais vantajoso. O sugerido pelo Ministério seria ainda mais caro.

A ligação ferroviária em questão foi apenas um dos pontos tratados, já que a implantação de outros trechos está com a negociação mais adiantada. Um deles é a conclusão da ligação entre Maracaju (MS) e Paranaguá. Segundo Gomes, esse é um grande desafio para o desenvolvimento do estado, já que o único acesso por trilhos ao porto é através de uma linha construída ainda no período imperial. A Ferrovia Norte-Sul já tem trechos concluídos na região Centro-Oeste. No próximo dia 9 de abril, o presidente Lula deve inaugurar a linha entre Colinas do Tocantins e Guaraí (TO), segundo informações da Valec.

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