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Crime insolúvel

Mistério sobre morte de irmãs dura 26 anos

Curitiba registrou mais quatro crimes idênticos no mesmo ano do assassinato de Elizateth e Cecília Nakadaira

  • PorAline Peres
  • 22/11/2008 21:08
Rua sem asfalto, onde as crianças moravam, ganhou o sobrenome das vítimas de um crime que chocou o país, mas nunca foi solucionado | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Rua sem asfalto, onde as crianças moravam, ganhou o sobrenome das vítimas de um crime que chocou o país, mas nunca foi solucionado| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Depoimento

Um caso para não esquecer

Minha memória pode estar falhando, afinal já se passaram quase 30 anos, mas o que não muda é a sensação de revolta por este tipo de crime contra crianças. O caso das irmãs Nakadaira marcou Curitiba pelas cenas chocantes. A repercussão foi tanta, que o material chegou até aos familiares no Japão. Indignada, a sociedade, através de seus representantes, cobrou uma ação rápida e enérgica por parte da polícia. Mas, naquela época, ainda não havia os meios que hoje são disponíveis para a investigação deste tipo de crime, como exame de DNA.

De forma afoita, dois suspeitos foram indiciados. Porém, trabalhando apenas em cima de informações dos moradores da região, a polícia prendeu o primeiro suspeito – o menor, Eloir Claudino da Silva, o "Paranguinha". Anteriormente, tinha passado uma temporada na escola correcional pelo envolvimento em assaltos seguidos de violência sexual. No interrogatório a que foi submetido na delegacia, o suspeito confessou o crime alegando que havia cheirado cola e bebido cachaça. Mesmo sem ter mais provas, a polícia o apresentou oficialmente como sendo o autor da morte das japonesinhas. "Paranguinha" ficou preso e foi levado a júri popular, a alguns anos depois. Por falta de materialidade, o júri o absolveu. A alegação foi de que a confissão tinha sido conseguida através de tortura. com o tempo, a morte das irmãs Nakadaira virou apenas mais um caso de violência mal resolvido. Amigos e jornalistas da época como Algaci Túlio, Ali Chaim, José Domingos, Joel Cerizza e Hernani Vieira, este editor de policial da Gazeta do Povo, estiveram empenhados durante semanas na busca da elucidação. Porém, sem solução, o caso só voltou à tona devido aos últimos acontecimentos em Curitiba. E que nestes, se faça justiça.

Roberto Massignan Filho, jornalista

  • Veja que a morte das nisseis repercutiu nos jornais e chocou a população

A morte de duas meninas de 9 anos, neste mês, chocou a população de Curitiba e colocou a cidade no noticiário policial do país. Mas quase duas décadas antes de Rachel Genofre e Lavínia da Rosa nascerem, um crime bárbaro contra criança chocava o Brasil. Em 25 de maio de 1982, o assassinato das irmãs Nakadaira virou notícia nacional. Elizabeth e Cecília, de 12 e 10 anos, vistas pela última vez a caminho da escola, no bairro Campo Comprido, foram encontradas um dia depois com marcas de espancamento, abuso sexual e objetos inseridos nos órgãos genitais (como lápis e canetas), no nariz e orelhas.

Naquele mesmo ano, houve mais quatro crimes idênticos em Curitiba. Em janeiro, Pedro Campos, 13 anos, foi estrangulado com as próprias calças, abusado sexualmente e largado com pés e mãos amarrados num terreno na Vila Santa Helena. Em março, o corpo de Maria de Lourdes Barbosa Brasileiro foi encontrado sob uma ponte do Rio Barigüi, nu e em decomposição. Sara Fonseca, 16 anos, abusada sexualmente e estrangulada, estava num matagal da Cidade Industrial, em maio. Já em agosto, Inês Alves Inácio, 16 anos, foi estrangulada e seviciada em Almirante Tamandaré. Um lavrador confessou o crime.

Como os casos recentes de Rachel e Lavínia, as irmãs Nakadaira foram estranguladas – uma com um pedaço de pano, a outra com fio de nylon. O caso suscitou medo e revolta nos moradores da região. Na época, a população pedia medidas enérgicas ao governo, como pena de morte para casos desse tipo. Até hoje não se conhece o assassino. O que resta da história bárbara é apenas uma rua com o nome das irmãs. Na região da Cidade Industrial, uma pequena via sem asfalto, onde ficava a chácara dos avós das meninas, pode-se ver a placa da Rua Irmãs Nakadaira.

Na lembrança dos moradores, a história ainda está viva. Ao subir o morro, uma das moradoras mais antigas do local, Lázara Ribeiro da Silva, a Lazinha, 63 anos, mostra onde estavam os corpos. Antigamente havia uma cruz no local, retirada após o crescimento do bairro. Onde antes havia mato, hoje há uma rua com antipó, com construções dos dois lados. Dos pinheiros onde os corpos foram encontrados, cada um distante 50 metros, e das pequenas cruzes brancas, marcos da tristeza de amigos e familiares, nada mais existe.

Lazinha é presidente da Associação de Mulheres do bairro e veio do interior do Paraná há 27 anos. Ela lembra que há sete anos, em maio, realizou-se uma procissão pela paróquia São João Batista para relembrar a história das irmãs. "Era uma forma de homenagear e trazer luz para as meninas", conta. Na época, as mães ficaram com medo de levar os filhos para a escola. Não tinha quem não desconfiasse de todo mundo.

Os avós das meninas, proprietários de uma granja na rua onde leva o nome da família, eram pessoas discretas e não gostavam de falar sobre o acontecido. Segundo Eva Pinheiro, de 80 anos, e sua neta Rosilene, 35 anos, as meninas eram felizes, sempre sorridentes. Eva conheceu-as quando comprava ovos e verduras na chácara. "Era uma família muito grande. Elas tinham outros irmãos e moravam com os avós porque precisavam ir à escola. Os pais mantinham uma granja em Fazenda Rio Grande", lembra.

Para chegar ao ônibus que as levaria ao Colégio Domingos Zalorenzi, as irmãs Nakadaira atravessavam o mato entre a chácara dos avós e o asfalto na Rua Luiz Tramontin. No dia 26, saíram de manhã, mas nunca chegaram à escola. Uma testemunha disse ter visto dois homens no matagal, observando-as. Como não voltaram para casa no horário habitual, por volta das 12 horas, a família formou grupos de busca. Os corpos só foram encontrados na manhã seguinte. "Todo mundo foi ver e não acreditava na cena", lembra Rosilene.

A irmã caçula, Simiane Nakadaira, 35 anos, lamenta pelo fato de os responsáveis pela atrocidade nunca terem sido punidos . Na época ela tinha 8 anos, mas se recorda do que aconteceu. "É algo que você não prevê e imagina que não vai acontecer na sua família", diz. A mãe morreu em 2003 e os avós, em 2002.

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