
Cerca de 200 pessoas bloquearam a Avenida Portugal, em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba, por volta das 14 horas desta quinta-feira (21). Os manifestantes são moradores dos bairros Gralha Azul e Nações. Eles reclamam da falta de segurança na região. O grupo queimou galhos de árvores no meio da avenida para bloquear o trânsito, que só foi liberado às 17h30.
O ato teve como mote o suposto desaparecimento de uma criança, que teria sido capturada por um homem conhecido na região por atacar mulheres desacompanhadas. O homem teria fugido para uma mata próxima. Os moradores da região deram à reportagem várias descrições do suposto "tarado do mato".
Uma mulher teria visto o fato e foi até a delegacia prestar depoimento. A vítima do suposto sequestro seria uma menina de 9 anos. No entanto, até as 18h30, nenhuma mãe deu queixa de desaparecimento. Uma outra testemunha, a dona-de-casa Maria Batista Ribeiro, 52 anos, conta ter ouvido um grito de uma menina.
De acordo com o cabo Ricardo Horning, da Polícia Militar, vinte policiais, seis bombeiros e moradores voluntários se embrenharam na mata das 8h até as 12h nas buscas pela menina. À tarde, outro grupo de moradores seguiu as buscas, sem nada encontrar.
Protesto
Aproveitando a presença da polícia e da imprensa pelo suposto desaparecimento, os moradores realizaram um protesto contra a falta de segurança da cidade, e, mais especificamente, a região da divisa entre os bairros Nações e Gralha Azul. A Avenida Portugal serve de ligação entre os bairros. Em um trecho de cerca de um quilômetro, há o mato onde a criança teria desaparecido de um lado e muro de uma propriedade particular do outro.
"Para ir até a farmácia, tem que passar por essa rua, que fica deserta de noite", reclama Jenifer Paola da Silva. A estudante e moradora do Gralha Azul Caroline Ferreira, de 27 anos, relata que o colégio mais próximo fica no bairro Nações. Ela estuda a noite e diz ter medo de andar na região de noite. "Só tem uma viatura na cidade. Não tem como manter a calma de noite aqui", disse Caroline.
A chegada dos policiais deu amostras do porquê das queixas da população. Uma dupla de policiais teve que vir de Mandirituba, que também tem apenas um carro, para dar apoio. Três carros da Polícia Militar - todos do 17º Batalhão - estavam com os pneus carecas e com o adesivo do brasão da Polícia Militar do Paraná rasgado.
O tenente Adirlei Wittkowski, que comandou a operação de policiamento no protesto, se negou a comentar sobre a qualidade do patrulhamento da cidade. A assessoria de imprensa da Polícia Militar disse que só poderia comentar sobre o caso na sexta-feira (22) em razão do horário de expediente - o primeiro pedido de informações da reportagem foi feito por um telefonema às 16h30.







