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Crime em Araucária

Multidão acompanha enterro do padre Nilson

Amigos, parentes, fiéis e clérigos se despedem do padre Nilson | Daniel Derevecki/Gazeta do Povo
Amigos, parentes, fiéis e clérigos se despedem do padre Nilson (Foto: Daniel Derevecki/Gazeta do Povo)

Cerca de mil pessoas acompanharam o enterro do padre Nilson Brasiliano José, ontem à tarde, no Cemitério da Água Verde, em Curitiba. Emocionados, amigos, parentes, fiéis e clérigos deram o adeus ao religioso às 17h45. O bispo de São José dos Pinhais, dom Ladislau Biernaski, orou durante o sepultamento e lamentou a morte do pároco, de 44 anos. "Morreu muito jovem, vítima da violência que se alastra por todos os locais", disse. Padre Nilson foi agredido e morto a facadas na noite de sexta-feira.

"Perdi um pai", resumiu o irmão do pároco, Amadeu José de Oliveira. "Era uma pessoa muito querida pelo povo e só queria o bem do próximo. Basta ver a multidão que está aqui hoje: tem gente de Rio Negro, Fazenda Rio Grande, Curitiba, Agudos e todos os lugares."

Segundo o bispo, Padre Nilson se preocupava muito com os jovens e lutava para mantê-los afastados das drogas. "Ele fazia um trabalho brilhante com os adolescentes e tinha muito carisma", lembrou.

A determinação do padre Nilson em afastar os jovens das drogas surgiu depois da morte de um sobrinho, vítima do tráfico, que morreu assassinado e torturado. "Ele tentou tirar o sobrinho desse mundo, mas não conseguiu", contou Maria Rosa Silva, vizinha da família. "Depois de perdê-lo, o padre não parou de trabalhar para livrar outros jovens suspeito desse mal."

Quatro suspeitos foram apresentados ontem à tarde na Delegacia de Araucária, grande Curitiba. Welito Model Levi, de 18 anos, Wilian Fernandes Model Levi, 19, Mauricio Anacleto, 22, e Vanderlei Rodrigues, 25, são acusados de latrocínio – roubo com morte. Os quatro seriam conhecidos do páraco.

De acordo com a polícia, padre Nilson teria recebido os acusados para almoço em sua chácara, a cerca de 10 quilômetros do Centro de Araucária. Os jovens teriam amarrado e levado o pároco para fazer um saque em uma agência bancária. Depois de resgatar R$ 400, o padre teria sido espancado e esfaqueado. O corpo, coberto de galhos e capim, foi abandonado em uma encosta na Estrada da Fazendinha, que liga a Rodovia do Xisto à localidade rural de Tietê.

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