O movimento negro tradicionalmente não celebra o 13 de maio, dia da Libertação dos Escravos. Motivos para isso não faltam. Mesmo com a abolição da escravatura ocorrida em 1888 com a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel , "o Estado não promoveu políticas públicas para a igualdade racial", conforme ressalta a socióloga e presidente do Instituto de Pesquisa da Afro-descendência (Ipad), Marcilene Garcia de Souza.
Novas revelações sobre a Princesa Isabel indicam que ela escreveu uma carta pedindo terras e políticas de integração racial, o que nunca foi cumprido. Pior do que isso: apenas recentemente tiveram início os debates sobre o Estatuto de Igualdade Racial, cotas em universidades, a presença de negros em novelas e em comerciais de televisão e o racismo velado.
Esses avanços, no entanto, são pouco em relação ao caminho a ser percorrido. "Não queremos impor nada, queremos sensibilizar a sociedade", diz o presidente do Instituto 21 de Março, Ademílson Edson dos Santos. Para ilustrar como ainda falta muito para a igualdade, ele lembra que, há poucos dias, um professor de Direito da Universidade Federal do Paraná foi acusado de chamar os cotistas de "macacada".
Em uma enquete, a Gazeta do Povo perguntou se o "13 de maio é uma data para ser comemorada". Confira os principais trechos das respostas de lideranças negras.







