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Apreensão de armas vindas do Paraguai em operação da Polícia Militar em Minas, no fim de 2007: rota do tráfico de armas e munições passa por 17 cidades de fronteira | Jair Amaral/Estado de Minas
Apreensão de armas vindas do Paraguai em operação da Polícia Militar em Minas, no fim de 2007: rota do tráfico de armas e munições passa por 17 cidades de fronteira| Foto: Jair Amaral/Estado de Minas

Mais de 400 mil optaram por fazer recadastramento

São Paulo - Mais de 400 mil armas que estavam sem registro ou apenas com as antigas autorizações estaduais foram recadastradas em 2008, de acordo com balanço preliminar da Polícia Federal (PF). O prazo para recadastramento sem necessidade de taxas ou testes psicológicos terminou no dia 31 de dezembro. As informações são da Agência Brasil.

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Lago terá patrulhamento intensificado

Principal corredor do tráfico de drogas e de armas no estado, o Lago de Itaipu deve ter o patrulhamento reforçado ainda nos primeiros meses do ano. Atualmente os mais de 220 km de extensão do reservatório, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, são monitorados por policiais lotados nas delegacias especiais de Polícia Marítima (Depoms) da PF em Foz e Guaíra. Nos municípios ribeirinhos, as polícias Militar e Civil do Paraná trabalham em conjunto na identificação e prisão dos envolvidos.

Inaugurada no fim de novembro, a Depom de Guaíra tem como alvo as quadrilhas que atuam especialmente a partir da cidade paraguaia de Salto del Guayrá. Para as ações de repressão e operações especiais a delegacia conta com oito lanchas. Ainda este mês são esperados 15 novos policiais preparados para o trabalho no Rio Paraná e no lago.

Reforço

Com a instalação do posto da Polícia Rodoviária Federal na Ponte Ayrton Senna – ligação entre Mundo Novo (MS), que faz fronteira seca com Salto del Guayrá, e Guaíra –, o contrabando, armamentos e drogas tendem a entrar no país por portos clandestinos. Também em Guaíra, o governo do Paraná estuda a criação de uma companhia independente da PM. (FW)

  • Confira os principais pontos de entrada de armas no Brasil

FOZ DO IGUAÇU - Foz do Iguaçu e Guaíra, no Oeste paranaense, estão na lista das 17 cidades de fronteira mais usadas pelas quadrilhas de traficantes para o ingresso de armas ilegais no país. O levantamento feito pela Polícia Federal aponta um terceiro ponto vulnerável no estado, o Porto de Paranaguá, que se destaca na rota do tráfico internacional de armamentos e munições. Entre os principais fornecedores dos arsenais que abastecem os estados de São Paulo, Rio e do Nordeste estão os EUA e países da Europa e da antiga União Soviética.

No esquema do crime organizado que atua em regiões específicas dos mais de 16,8 mil quilômetros de fronteira do Brasil, os países vizinhos funcionam como importantes entrepostos. No mapa traçado pelo núcleo de inteligência da PF, do Paraguai, por exemplo, os carregamentos chegam ao país por estradas que dão acesso a Mato Grosso do Sul – passando pelas cidades de Bela Vista, Ponta Porã, Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas e Mundo Novo – e ao Paraná, em toda a extensão do Lago de Itaipu, entre Foz do Iguaçu e Guaíra.

Problema considerado histórico pelo chefe da Divisão de Repressão ao Tráfico Ilícito de Armas da Polícia Federal, delegado Vantuil Luís Cordeiro, a entrada de armas pelo Paraguai vem sendo utilizada há anos e a única forma de combate, aponta, é a atuação repressiva dos órgãos de segurança responsáveis pelo patrulhamento de fronteira. Segundo o delegado, a PF também investe na cooperação com as autoridades vizinhas, no trabalho de inteligência e na colaboração da sociedade denunciando possíveis suspeitos.

Em trabalho conjunto com a PF, a delegacia da Receita Federal, em Foz do Iguaçu, apreendeu neste ano 18 armas, 13 delas em um ônibus de turismo durante fiscalização no Posto Bom Jesus, às margens da BR-277. Normalmente as pistolas e espingardas são escondidas no meio das mercadorias contrabandeadas do Paraguai pelo Rio Paraná ou pelo reservatório de Itaipu. Em maior quantidade, o transporte de munições recruta inclusive crianças e adolescentes que cruzam diariamente a Ponte Internacional da Amizade.

Mapa

Ainda no Sul do país, municípios gaúchos como Uruguaiana aparecem na rota argentina do tráfico ao lado de Quaraí e Santana do Livramento, estes na fronteira com o Uruguai. Já as armas vindas da Bolívia, segundo principal ‘atravessador’, são escoadas por pelo menos cinco cidades em quatro estados brasileiros: Corumbá (MS), Cáceres (MT), Guajará-Mirim (RO) e Brasiléia e Plácido de Castro (AC). Na região da Amazônia, as quadrilhas com ligação na Colômbia entram no país pela cidade de Tabatinga (AM).

O delegado explica que o mapa atualizado do tráfico de armas é resultado do cruzamento de informações ligadas às apreensões feitas durante todo o ano passado, o que possibilitou elencar as mais concorridas. A rota, observa, envolve conhecidos pontos de entrada cuja utilização com maior ou menor frequência depende da presença das forças policiais. Em 2006, a CPI do Tráfico de Armas identificou mais de 100 pontos de entrada. "Semelhante ao que acontece no combate ao tráfico de drogas ou a outros ilícitos de fronteira, assim que se monta o cerco, as quadrilhas migram para outras regiões."

Calibre

Divulgado no fim do ano passado às autoridades do Mercosul, o levantamento também traz a divisão dos tipos de armas por rota. Pelo Paraná passam as armas menores, como pistolas, mas de calibre restrito e forte poder de fogo. Nas apreensões feitas em Mato Grosso do Sul, a preferência é pelas armas de grosso calibre, como fuzis e metralhadoras. "Essas têm como destino os grupos que disputam o controle do tráfico de drogas no Rio e em São Paulo e também para as quadrilhas especializadas em assaltos a banco e a carros-fortes nos estados do Nordeste", diz Carneiro.

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