
O Rancho das Flores tem samba-enredo, porta-bandeira, mestre-sala, ala de passistas e destaques na avenida, mas não é uma escola de samba, tampouco um bloco de carnaval. O grupo é formado por 400 integrantes um pouco mais, um pouco menos no dia do desfile dispostos a distribuir alegria na avenida. Durante o ano, esses animados foliões participam dos diversos programas sociais mantidos pela prefeitura para o atendimento da terceira idade. E o Rancho tem um pouco desse perfil, de atividade de lazer para a terceira idade e ação social, que começou há 20 anos.
A data será celebrada em 2009 com tudo o que uma autêntica escola de samba tem direito. Pela primeira vez, a prefeitura fez um edital para a produção do desfile do grupo, lançado no final de novembro do ano passado. O único interessado em assumir a montagem foi o produtor cultural Áldice Lopes, que há quatro anos já cuida da folia dos velhinhos. Diferente de uma comunidade envolvida com o carnaval, os idosos do Rancho contribuem apenas com a animação. Todo o resto é por conta da prefeitura. A verba de R$ 40 mil precisa ser suficiente para a produção do enredo, fantasias e adereços, que estão sendo confeccionados pela equipe de Lopes.
Mesmo sem ensaios em quadra com bateria, o Rancho das Flores também esquenta os tamborins antes de sair na avenida. No dia 12 de fevereiro está marcado um baile de carnaval, para animar os foliões. Até lá, as máquinas de costura precisam ferver para dar conta de todos os preparativos.
O tema escolhido para celebrar os 20 anos do Rancho é o próprio carnaval. Lopes construiu o enredo em cima dos ícones mais famosos da festa de Momo. Pierrôs, Colombinas e Arlequins estarão representados nas diferentes alas do grupo. "Essa coletânea vai contar a história do carnaval", explica. A experiência com os idosos ensinou ao produtor os macetes para conseguir o melhor desempenho na avenida. "As fantasias não podem ser pesadas e precisam ser confortáveis."
Toda a produção do desfile do Rancho tem cuidados especiais por causa da idade dos foliões. "Só maiores de 60 podem participar. A preferência é para quem está inscrito em algum dos programas da prefeitura para a faixa etária", explica o coordenador de agendamento e produção da Fundação Cultural de Curitiba, Beto Lima, que organiza o evento. Mas nada impede que senhores e senhoras animados se apresentem para desfilar ainda na concentração, na Cândido de Abreu. Cada regional administrativa reúne a sua turma para ser transportada gratuitamente até o Centro Cívico, onde ocorre o desfile. Água e lanche estão no cardápio, bem como a garantia do transporte de volta. Há todo um "pelotão de choque" na retaguarda dessa produção. Uma ambulância acompanha os foliões, numa espécie de "carro alegórico" quase obrigatório.








