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Drogas

Nordeste tem 40% dos usuários de crack nas capitais

Dois estudos da Fiocruz revelam dados inéditos sobre o consumo de crack no país. Pedra é fumada regularmente por 370 mil usuários nas capitais

  • Das Agências
Segundo a pesquisa, latas de cerveja e refrigerante são usadas por 52% dos usuários de crack para fumar a droga |
Segundo a pesquisa, latas de cerveja e refrigerante são usadas por 52% dos usuários de crack para fumar a droga
 
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As capitais do país reúnem 370 mil usuários regulares de crack ou similares (pasta base, merla e oxi). O contingente representa 35% do total de usuários regulares de drogas ilícitas – com exceção da maconha –, estimado em 1 milhão nas capitais. As capitais do Nordeste do país concentram 40% dos usuários regulares de crack.

INFOGRÁFICO: Confira o número de usuários de crack e similares pelo país

É o que aponta a maior pesquisa já feita no país sobre o tema, divulgada ontem. Foram dois estudos realizados pela Fiocruz, sob encomenda da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad): um que faz estimativas sobre o número de usuários nas capitais do país e um segundo que traça um perfil do dependente de crack, desta vez em âmbito nacional.

No recorte regional, o levantamento aponta o Sudeste como a segunda região com o maior número absoluto de usuários de crack, com 30% do total. Em seguida, vêm o Centro-Oeste (13%), o Sul (10%) e o Norte (9%).

O estudo mediu o uso do crack por menores de 18 anos. Dos 370 mil usuários regulares, 13% são crianças e adolescentes. E sua proporção, entre os usuários estimados, também é maior na Região Nordeste – quase 20% do total de usuários contra 13,5% da média nas capitais.

O segundo estudo procurou determinar o perfil dos usuários de crack e drogas similares no país como um todo, incluindo cidades de pequeno e médio porte, regiões metropolitanas e capitais.

Esses dados foram colhidos entre o fim de 2011 e o junho de 2013, entre 7.381 usuários da droga. Testes de HIV e hepatite C também foram feitos.

De acordo com o estudo, 78,7% dos usuários de crack são homens, 80% são “não-brancos” (pretos, pardos e amarelos), 41,6% informaram ter sido detidos no ano anterior. Em termos de educação, 55% completaram a 8.ª série do ensino fundamental e somente 3% chegaram ao ensino superior.

O perfil do uso indica que 55% utilizam a droga diariamente. O consumo se estende há 7,6 anos na média nas capitais e há 4,9 anos nas demais cidades. O estudo identificou que os usuários de crack fazem uso frequente de outras drogas lícitas e ilícitas, como tabaco, álcool, maconha e cocaína.

Mulheres

O perfil sobre os usuários regulares faz um retrato cruel da situação das mulheres dependentes do crack. Cerca de 10% informaram que estavam grávidas no momento da entrevista e 46,6% disseram ter engravidado pelo menos uma vez desde que começaram o uso da droga.

Das entrevistadas, 44,5% relataram já ter sofrido algum tipo de violência sexual. E cerca de 30% informaram que trocam dinheiro ou drogas por sexo.

Curiosidade é a porta de entrada

Seis em cada dez usuários afirmam que a vontade e curiosidade de experimentar a droga como o motivo fundamental para o início do uso do crack. Cerca de 30% indicaram como causa perdas afetivas, problemas familiares e violência sexual. O fato de o crack ser mais barato não se mostrou como motivo central para o início do uso da droga: apenas 2% afirmaram que essa era a causa.

Para os autores do estudo, os achados apontam a necessidade de se reforçar laços familiares, facilitar a ressocialização do usuário e reforçar as medidas preventivas, sobretudo nas escolas.

Tratamento

O estudo indica que quase 80% dos usuários (78,9%) desejam se tratar. Apesar da disposição, o trabalho mostra um baixo acesso aos serviços: 20% disseram ter procurado posto de saúde e 17,5%, alimentação gratuita nos 30 dias que antecederam a pesquisa. De acordo com o trabalho, 6,3% procuraram os Caps-AD (Álcool e Drogas), centros de apoio ao usuário.

Outro ponto ressaltado pelos pesquisadores é o tempo médio de uso da droga. Nas capitais, a média é de oito anos e nos municípios, cinco. Um achado que contradiz a ideia comum de que usuários têm sobrevida inferior a três anos de consumo.

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