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Patrimônio

O Largo é mais que a feirinha

Comerciantes, vereadora e representantes da prefeitura estiveram reunidos ontem com um único objetivo: fazer com que Curitiba reconheça seu Centro Histórico

No Largo da Ordem, a história de Curitiba está relegada a segundo plano. Nem turistas nem moradores de Curitiba têm informações sobre as diversas opções históricas e culturais disponíveis no local | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
No Largo da Ordem, a história de Curitiba está relegada a segundo plano. Nem turistas nem moradores de Curitiba têm informações sobre as diversas opções históricas e culturais disponíveis no local (Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo)

Os ponteiros do Relógio das Flo­­res, no Largo São Francisco, não trabalham direito há pelo menos seis anos. Estão paralisados, assim como uma iniciativa que nunca conseguiu sair do papel: fazer com que o Centro Histórico de Curitiba receba a atenção que merece. On­­tem, comerciantes abraçaram simbolicamente o relógio para dizer que, juntos, pretendem elevar o Largo da Ordem ao reconhecimento de centros históricos brasileiros como o de Recife e o Pelou­rinho, em Salvador. E não basta melhorar a segurança: os comerciantes querem ver o mesmo público de do­­mingo circulando nos outros dias.

O horário da feirinha de domingo, por exemplo, parece respeitar as regras de uma cidade do interior: das 9 às 14 horas. Deta­­lhe: por volta do meio-dia, alguns feirantes já estão literalmente le­­vantando acampamento para ir embora. "Queremos que a feira fi­­que aberta pelo menos até as 17 horas. Tem muito turista que vai para Santa Felicidade almoçar e, quando chega aqui, se depara com as barracas vazias", explica o co­­merciante Diogo Teixeira, da loja La Mancha. Um decreto municipal estabelece que a feira funcione nesse horário e não foi mudado porque muitos feirantes se recusam a trabalhar até mais tarde, se­­gundo a vereadora Julieta Reis (DEM), que esteve na reunião. "Temos uma fila de pelo menos 200 pessoas que querem vender seus produtos na feirinha. Já pensamos na proposta de fazer um rodízio de barracas, mas isso poderia causar muitos transtornos", diz. Por isso Julieta não descarta a hipótese de montar uma nova feira, que poderia funcionar no sábado, nos mesmos moldes da que vem sendo fei­­ta na Praça da Es­­panha, com música e gastronomia típicas. O coordenador de artesanato da prefeitura, Paulo Base, se comprometeu com os co­­mer­ciantes a organizar melhor a feira que já existe, fiscalizando as barracas para evitar a sublocação e retirando as que vendem produtos que não são considerados artesanais.

"O que falta é divulgação e organização. As pessoas sabem que existe o Jardim Botânico, mas desconhecem o Centro Histórico. 80% das pessoas que trabalham com a questão turística desconhecem o Museu Para­naen­­se", afirma a responsável pelo De­­par­­tamento de Educação do mu­­seu, Neusa Cassa­­neli. Ela lembrou ainda que, no domingo, o museu fica esquecido atrás das barracas.

O coordenador do curso de Tu­­rismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Alexandre Augusto Biz, lamenta que o Largo seja lembrado pelas pessoas apenas por causa da feira. "Não há uma divulgação do que é o Centro Histórico. O comportamento dos moradores e do próprio turista está atrelado a comprar produtos nas barracas. O que falta é um trabalho para divulgar o conjunto. O local tem atividades para serem feitas o dia todo. Como por exemplo, visitas aos ateliês de arte, museus e igrejas", afirma. O centro histórico tem ainda boas opções de restaurantes e ba­­res. O problema é que o turista, que passeia tranquilamente pelas barracas no domingo, chega ao fim da feira sem saber que naquela região se vive a história de Curitiba.

Ontem, os comerciantes começaram a selecionar fotos do São Fran­­cisco para serem usadas na confecção de camisetas, bolsas e mapas do Centro Histórico – a intenção é vender esses objetos como uma maneira de ampliar a divulgação.

Uma rápida pesquisa pelo site de relacionamento Orkut mostra que pelos menos 36 comunidades falam do Largo da Ordem. O assunto, entretanto, é quase sempre o mesmo: é lugar para be­bedeira e festa. O caráter no­­turno e o abandono da região em certos horários são um problema de falta de planejamento urbano, se­­gundo o arquiteto e urbanista Irã Dudeque. "É complicado para o Largo, porque ele não tem a rotina de moradores que circulam o dia todo. Em certos horários fica vazio. Isso acontece por falha no planejamento urbano."

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