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Relato

“O mundo está muito louco”

Marcio Renato dos Santos, repórter do Caderno G

São Paulo - Havia luz na Casa Fasano, no bairro Itaim Bibi, na noite da última terça-feira. De repente, o escritor Joca Terron disse que estávamos em meio a um ap agão. Um gerador viabilizou que a cerimônia do Prêmio Portugal Telecom acontecesse sem problemas. Mas, através dos vidros, reparei: não havia luz nos prédios ao lado.

"O mundo está muito louco." A frase foi dita pelo escritor Lourenço Mutarelli, um dos premiados. "O mundo está muito louco porque a minha obra está sendo reconhecida", completou o escritor, que fala sobre sujeitos atormentados. A frase de Mutarelli foi enunciada no momento em que São Paulo ficava completamente no escuro. Dentro do espaço luxuoso não sabíamos que, em poucos instantes, seguiríamos por ruas sem nenhuma iluminação.

Dentro de uma van, eu e outros jornalistas fomos até o hotel. Eu calculava quantos degraus teria de subir até chegar ao quarto, no décimo andar. Mas um sistema, movido a querosene, mantinha algumas luzes acesas, e o elevador funcionando.

Abri e fechei a porta do quarto. Janela aberta, e todos os prédios ao redor sem luz. Apenas os faróis de alguns carros iluminavam, lá embaixo, o asfalto de São Paulo. Reparei que não passava mais nenhum avião. Ouvi gritos de pedestres. O painel de meu telefone celular iluminou, na cabeceira da cama, o romance Aprender a Rezar na Era da Técnica. Adormeci.

A luz natural de uma poluída São Paulo me despertou por volta das 7 horas de ontem. Os dígitos do despertador piscavam.

Sorri. Minutos depois, já na rua, um cego disse: "Esse mundo precisa é de reza."

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