Viatura traz presos na operação, batizada de Quadro Negro, ao Nurce, no Centro de Curitiba | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Viatura traz presos na operação, batizada de Quadro Negro, ao Nurce, no Centro de Curitiba| Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

Com apoio do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), o Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) realizou na manhã desta terça-feira (21), em Curitiba, uma operação contra desvio de recursos públicos da Secretaria de Estado da Educação (Seed) através de contratos com empresas para construção de escolas no Paraná. Foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e nove de busca e apreensão. A operação foi batizada de “Quadro Negro”.

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Entre os presos está Maurício Fanini, que ocupou o comando da Diretoria de Engenharia, Projetos e Orçamentos da Seed entre 2011 e 2014. Entre janeiro e junho deste ano, ele estava no comando da recém-criada Fundepar, autarquia que estava sendo formatada dentro do governo estadual para assumir todas as obras da área de educação. Também foram presos quatro representantes da Valor Construtora e Serviços Ambientais, empresa que mantém ao menos 12 contratos com o governo do Paraná, a maioria de construção ou reforma de escolas. São eles: Eduardo Lopes de Souza, Viviane Lopes de Souza, Tatiane de Souza e Vanessa Domingues de Oliveira. Eduardo é apontado pelo Nurce como o verdadeiro dono da empresa. Viviane, responsável técnica da empresa, é irmã de Eduardo. Já Tatiane e Vanessa seriam laranjas do empresário. As buscas e apreensões foram feitas nas casas dos envolvidos, na sede da empresa e também na sala de Fanini, na Superintendência de Desenvolvimento Educacional (Sude), braço da Seed localizado no Cabral. Cerca de 50 policiais participaram da operação.

A investigação do Nurce foi aberta a partir de informações de uma auditoria em curso desde abril na própria Seed. Relatório parcial da auditoria já apontou irregularidades nas medições de sete obras sob responsabilidade da Valor Construtora. Segundo o Nurce, com autorização do então diretor de Engenharia, Projetos e Orçamentos da Seed, Maurício Fanini, fiscais atestavam a execução da obra sem ir até o local. Isso permitiu que a empresa recebesse dinheiro por serviços não executados de fato.

De acordo com o delegado Renato Figueroa, responsável pela investigação no Nurce, trata-se uma primeira fase, na qual dez contratos entre a Valor Construtora e a Seed estão sob suspeita. São cinco contratos de construção de novos colégios e cinco de reformas de escolas. Por este conjunto de obras, a empresa já teria recebido cerca de R$ 25 milhões por serviços que não foram concluídos.

O advogado de Fanini, Gustavo Scandelari, disse à reportagem que a operação corre em sigilo e que, por isso, não poderia fazer qualquer comentário a respeito. O advogado da Valor Construtora, Claudio Dalledone Junior, ainda não foi localizado pela reportagem.

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