Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Sanguessugas

Ordem de prisão para petistas cria turbulência entre MP e PF

Brasília – A ofensiva secreta do Ministério Público Federal para prender Freud Godoy, ex-guarda costas do presidente Lula, e outros dirigentes do PT envolvidos na trama do dossiê anti-José Serra, do PSDB, pôs fim à trégua, que já era tênue, entre a Procuradoria da República e a Polícia Federal.

"O procurador não nos consultou, tomou uma atitude isolada, atropelou e atrapalhou a investigação", acusou Geraldo Pereira, superintendente em exercício da PF em Mato Grosso, onde está centralizada a operação para identificar a origem de R$ 1,75 milhão, em dólares e reais, com os quais o PT pretendia comprar o dossiê.

Mário Lúcio de Avelar é o procurador encarregado do caso. É dele o pedido sigiloso à Justiça Federal para prisão em caráter temporário de Freud e também de Jorge Lorenzetti, Expedito Veloso, Oswaldo Bargas, Valdebran Padilha e Gedimar Passos, personagens do golpe que não deu certo porque a PF prendeu os dois últimos em São Paulo, há duas semanas, de posse do dinheiro.

Na noite de segunda-feira, pouco depois das 21 h, Avelar protocolou o pedido de custódia temporária contra o grupo. Adverci Mendes de Abreu, juíza federal, estava de plantão àquela hora. Ela se convenceu dos argumentos do procurador e mandou expedir os mandados de prisão.

Os mandados chegaram à PF por volta de 1h30 da madrugada da terça, mas esbarraram numa questão legal -– o Código Eleitoral. Quando foi avisado da determinação judicial, Geraldo Pereira não permitiu que as equipes de busca saíssem atrás dos suspeitos. Ele anotou que o decreto judicial não tem eficácia por ora – o Artigo 236 do Código Eleitoral proíbe prisões, exceto nos casos em flagrante, 5 dias antes e até 48 horas depois do pleito.

"É muito fácil pedir prisão quando não se pode prender", declarou o delegado. "A PF não considera necessárias essas prisões, pelo menos por enquanto. Agora as pessoas citadas já sabem e poderão ocultar provas." Pereira disse que "a investigação é da PF" e a Procuradoria da República "está pegando uma carona".

O que o surpreendeu é que na semana passada a Justiça Federal já havia rejeitado um primeiro pedido do procurador com relação à prisão dos implicados. A decisão anterior foi tomada pelo juiz Marcos Tavares, da 2.ª Vara Federal de Cuiabá. Ele considerou "completamente desnecessária" a medida.

Avelar reiterou o pedido, perante o plantão da Justiça Federal, sob argumento de que os petistas que protagonizaram a trama teriam caído em contradições quando prestaram depoimento, sexta-feira. Defendeu a prisão para que fosse realizada uma acareação. "Existe uma investigação, ela vai parar por causa da lei eleitoral?"

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.