
Trinta e seis dias. Foi esse o tempo que o gesseiro Adonias Ferreira, 31 anos, teve de esperar para operar um dos joelhos. Ele era um dos seis pacientes que tiveram de ser transferidos do Hospital Universitário (HU) para os hospitais Santa Casa e Santa Rita, em Maringá, e para o Metropolitano, em Sarandi, para que passassem urgentemente por procedimentos cirúrgicos ortopédicos, por determinação da Justiça. Havia, ainda, um sétimo paciente que deixou o HU antes dos outros para ir para casa.
Ferreira fraturou o osso prato tibial direito ao cair de um andaime que estava a 4 metros do chão, na manhã de 6 de abril, enquanto trabalhava. Por ser um caso de média complexidade e pela data de nascimento, ele foi levado para o HU menos de uma hora depois, onde deveria passar pela cirurgia. A partir de então, começou a maratona de espera, que só começou a terminar com a intervenção da Justiça. Pelos próximos 90 dias, deverá permanecer em repouso absoluto, sem encostar o pé no chão.
A transferência para o Hospital Santa Casa só aconteceu em 6 de maio. Depois, ele teve de esperar mais quatro dias, até que, finalmente, fosse operado. "Como no HU não havia leitos nos quartos, eu e os outros pacientes tínhamos de ficar em macas no corredor, o que fazia com que sentíssemos dores, principalmente nas costas", lembrou. "Lá, os médicos só tratavam as dores."
O problema não foi somente a espera. Como o salário do gesseiro é por produção, houve também prejuízo financeiro, por passar mais de um mês sem trabalhar. A empresa para qual trabalha como funcionário terceirizado deu uma ajuda em dinheiro, que já foi gasta com medicamentos e talas. Agora, ele deverá ficar sem salário até passar pela perícia médica da Previdência Social, marcada para 28 de junho. "Vamos ter de reduzir os gastos em casa, pois, além de mim, apenas minha mulher trabalha."
Ministério Público entrou com ação contra HU e Prefeitura
Em geral, casos de média complexidade são encaminhados para o HU, enquanto os de alta complexidade vão para o Santa Casa e o Santa Rita, em Maringá. A Promotoria Especial de Defesa da Saúde Pública, do Ministério Público do Paraná, informou que tentou resolver a questão administrativamente no início. Como os procedimentos não foram realizados, a promotoria entrou com ação contra o HU e a Prefeitura, junto à 4ª Vara Cível, no dia 1º de maio, obrigando o hospital a atendê-los de imediato, prevendo até multas para cada dia de atraso.
Na ocasião, o superintendente do HU, o médico José Carlos Amador, alegou que faltavam equipamentos para operar os pacientes. Com pedido da Secretaria da Saúde, a Justiça determinou então que as seis pessoas fossem transferidas para o Santa Casa, o Santa Rita e o Metropolitano, onde poderiam ser tratadas. Além de Ferreira, o Ministério Público não informou se algum outro paciente já passou pelo procedimento até a tarde de terça-feira (17).
Sobre a transferência, o secretário da Saúde, Antonio Carlos Nardi, afirmou à época que o assunto já era tido como solucionado, uma vez que houve encaminhamento. Ele disse que os pacientes passariam por exames para verificar se a cirurgia lhes oferecia algum risco, para, então, serem operados.
A Gazeta Maringá tentou entrar em contato com o superintendente do HU para falar sobre o tratamento prestado aos pacientes durante as semanas de espera, no início da noite de terça-feira (17). Contudo, ele disse que não poderia atender à reportagem naquele momento.



