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Manzotti

Padre multiplica tudo por mil

Os números atropelam o padre Reginaldo Manzotti. Ordenado há dez anos, ex-frei carmelita, nascido na pequena cidade paranaense de Paraíso do Norte, hoje vê tudo o que se relaciona a ele se multiplicar por mil. A primeira grande missa, no Dia das Mães, em 2004, teve 7 mil fiéis. Na celebração de Natal daquele mesmo ano foram 35 mil – média que tem mantido em grandes ocasiões. Os e-mails recebidos no mês chegam a 40 mil, cem mil acessos no site, e a missa dominical na TV Educativa – embora não mensurada por institutos de pesquisa – é top da emissora. Sem falar nos shows. O religioso está fechando um para 200 mil pessoas em Minas Gerais. Tempos atrás, em Mandirituba, atraiu 15 mil contra 5 mil de uma dupla sertaneja, no dia seguinte. "Eu não planejei nenhuma dessas coisas. Aconteceu", diz.

Aconteceu na Paróquia São José Operário, na Vila Maria Antonieta, em Pinhais, onde começou o movimento Evangelizar é Preciso. O programa missionário nasceu com a proposta de usar os meios de comunicação para atingir mais católicos. Ganhou corpo – hoje, sustenta o segundo portal mais visitado de Curitiba, uma equipe de apoio de 150 pessoas, um coral, um terceiro CD a caminho. Reginaldo, que cantava para o gasto, como a maior parte dos padres, ficou bem na foto, parecia ter nascido com o microfone na mão e esbanjando uma alegria – alegria que tomou de empréstimo da Renovação Carismática Católica, embora não pertença ao movimento.

Para quem se sentia mal em ter um e-mail no próprio nome, ver o rosto estampado até em camiseta com um garrafal "Eu amo padre Reginaldo Manzotti" foi princípio de uma crise vaticana. "Não era para ser assim", pensou. Até ouvir um sonoro "deixa disso" de seu orientador espiritual e virar o sujeito resolvido, como se pode notar mesmo que olhando do outro lado do Terminal Guadalupe, onde sua figura grita na paisagem. "Não há nada demais que alguém tenha um padre como modelo", resume Reginaldo, com o estilo sem rapapés, que lhe é peculiar.

Quem espera um sujeito solene e reservado, esqueça. O rapagão de família italiana é do tipo desengravatado, que não esconde, inclusive, o azar de ter perdido o show dos Rolling Stones, ontem, no Rio de Janeiro. Não manda recado. Nem bênção. Com esse moço, é no abraço, no toque e no calor da hora, uma pequena diferença na terra do tchauzinho. Onde passa, claro, deixa tudo fora de ordem, da PM ao açougueiro da esquina.

Dia desses, uma prostituta lhe pediu um abraço. Ganhou, claro, apesar de trajar um modelito de fazer beata acender fogueira da Inquisição. Em seguida, contou que era prostituta, uma das muitas que trabalham na área. Não levou pito, ao contrário, ganhou um "Deus te ama mesmo assim!" Dia seguinte, imagine quem voltou para a missa? "Ela me disse nunca ter ouvido nada igual. Não faço pregação moralista. Isso não cativa ninguém", explica. Bem vindo ao Terminal Guadalupe.

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