
Foz do Iguaçu A prefeitura de Ciudad del Este, no Paraguai, retomou nesta semana as obras de revitalização daquele que já foi considerado o maior centro do comércio de importados da América Latina. O projeto de melhoria da imagem da cidade teve início há quatro anos, quando dezenas de galerias e barracas foram demolidas e alguns lojistas e camelôs transferidos para outros locais.
Nesta etapa, estima-se que sejam investidos cerca de US$ 1 milhão, o equivalente a R$ 2,3 milhões, na melhoria de mais um trecho da principal via de acesso à Ponte da Amizade, entre o Brasil e o Paraguai, e à rodovia internacional para Assunção, capital do país. Os trabalhos estão concentrados na Avenida Monseñor Rodríguez, do trevo do Shopping Monalisa até o viaduto do posto Esso, nos limites do microcentro.
Cerca de 60 trabalhadores iniciaram, com a ajuda de máquinas, a demolição de imóveis construídos durante o governo do ex-presidente Alfredo Stroessner em área pública. Autoridades paraguaias afirmaram que o local vem sendo usado como esconderijo para delinqüentes e usuários de drogas que costumam perambular pela região em busca de esmolas e praticando pequenos furtos.
Muitos, inseguros quanto à transferência, resistem e não querem deixar as bancas que estão sendo desmontadas. A viúva Olga Araújo, 60 anos, disse sustentar cinco filhos pequenos com o dinheiro das vendas da lanchonete que mantém na área que está sendo desocupada. "Não saio daqui enquanto não me derem algum tipo de garantia. Não tenho outra opção para manter a família", disse. Willian Martinez, 30 anos, também comentou estar preocupado com a perda da barraca.
As mudanças têm o objetivo de atrair o verdadeiro turista de compras. Depois da derrocada do período áureo, a saída encontrada pelos empresários e pelo próprio governo municipal foi a mudança gradativa da imagem da cidade, ligada diretamente à pirataria, ao contrabando e à sonegação de impostos. Da década de 80 até meados da de 90, o comércio de Ciudad del Este faturava cerca de US$ 12 bilhões por ano. Hoje este montante não passa de US$ 1 bilhão.
Segundo o prefeito Javier Zacarías Irún, as mudanças vão trazer benefícios para toda a cidade. "Queremos que o lugar volte a ser agradável, com a recuperação dos espaços públicos." Ele garante que as novas obras vão oferecer comodidade e segurança para população e turistas que visitam o município atraídos pela variedade de produtos e os preços. Os recursos para a revitalização vêm do pagamento de royalties de Itaipu e dos repasses do governo paraguaio.
No espaço ocupado pelas antigas galerias foram construídas praças ao longo da avenida principal e quiosques padronizados. Estimulados pela reestruturação das vias, alguns comerciantes providenciaram a reforma das fachadas de shoppings e lojas agora expostas. Como observa o presidente do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná (Cicap), Charif Hammoud, os novos clientes são mais exigentes e os lojistas estão se adaptando a esta nova realidade.
O projeto de reordenamento envolve ainda a ampliação e reforma da aduana paraguaia. Para as obras estão reservados cerca de R$ 20 milhões doados pelo governo federal brasileiro. Do montante, cerca de R$ 10 milhões já foram transferidos para a Embaixada do Brasil no Paraguai e aguardam os trâmites legais para o repasse oficial e o início da empreitada, ainda sem previsão. A intenção é proporcionar ao governo vizinho condições de atuar no combate conjunto ao contrabando e ao descaminho.







