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Clima

Paraná registra um desastre a cada dois dias e meio

Em 30 anos, estado somou 4,3 mil ocorrências causadas tanto pelo homem quanto pela natureza. Defesa Civil finaliza mapeamento das áreas de risco

A cheia do Rio Iguaçu de 1983 foi um dos piores desastres do Paraná nos últimos 30 anos: matou 18 pessoas e deixou 70 mil desabrigados, principalmente em União da Vitória | João Bruschz/Gazeta do Povo/Arquivo
A cheia do Rio Iguaçu de 1983 foi um dos piores desastres do Paraná nos últimos 30 anos: matou 18 pessoas e deixou 70 mil desabrigados, principalmente em União da Vitória (Foto: João Bruschz/Gazeta do Povo/Arquivo)
Relembre alguns desastres ocorridos nos últimos 30 anos no Paraná |

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Relembre alguns desastres ocorridos nos últimos 30 anos no Paraná

Confira os cinco tipos mais frequentes de desastres no Paraná |

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Confira os cinco tipos mais frequentes de desastres no Paraná

A cada dois dias e meio ocorre um registro de desastre no Paraná provocado tanto pela ação do homem quanto pela da natureza. É o que revela um estudo inédito da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Paraná (Cedec-PR), que acaba de finalizar a primeira fase de um mapeamento das áreas de risco no estado. De acordo com a Cedec, pelo menos 4.368 situações desse tipo aconteceram no estado entre 1980 e 2010.Entende-se por desastre ocorrências que fogem da normalidade e exigem uma resposta imediata do poder público para enfrentá-las e prestar socorro às vítimas. A coordenadoria cataloga 153 tipos diferentes de desastres. As mais comuns são enchentes, estiagens, granizos, vendavais, tempestades e acidentes envolvendo produtos perigosos. Mas também entram na conta incêndios, migrações intensas e descontroladas, acidentes com meios de transporte e epidemias com graves consequências, entre outros.

Os dados usados no estudo foram coletados a partir de 1980 devido à inexistência de informações repassadas pelos municípios antes disso. Os números podem ser ainda maiores, já que nem todos os eventos são notificados – daí a importância de se capacitar agentes que consigam fazer uma leitura das ocorrências. Mas, graças ao levantamento, já é possível saber a frequência e a distribuição desses eventos pelas cidades paranaenses. As Regiões Noroeste e Sul do estado, por exemplo, são as mais suscetíveis a sofrer com enchentes. Já o Su­­doeste, Oeste e Centro-Sul paranaenses são mais comumente atingidos por tempestades de granizo.

Os mapas, disponibilizados pela Cedec na internet, mostram tanto o histórico de desastres quanto a probabilidade de eles acontecerem novamente. "Não tenho informação de outro estado que tenha a primeira fase pronta", diz o chefe da seção operacional da coordenadoria, Eduardo Gomes Pinheiro. Até o final desse mês, o Cedec pretende finalizar o perfil dos eventos ocorridos nas últimas três décadas.

A segunda etapa do mapeamento, que está em curso e é desenvolvida por outras instituições públicas, irá indicar por que aconteceram estas situações. Na terceira fase, também em andamento, as regionais de Defesa Civil buscam informações junto aos municípios sobre as áreas de risco. A quarta etapa será a compilação dos dados, com a participação de especialistas.

Passadas estas etapas, surge o desafio de dar sentido ao mapeamento. Uma das ações futuras é possibilitar aos municípios que desenvolvam planos de contingência para cada risco existente e disponibilizem no sistema on-line. Segundo Pinheiro, o mapa terá efeito se resultar em ações preventivas. "O gestor municipal deve entender que o mapa de risco não é o fim do nosso trabalho. Ele é parte de um quebra-cabeças que envolve a elaboração de um Plano Diretor de Defesa Civil, mais completo, e que contém todas as ações que devem ser postas em prática pelo município."

Desafio

O professor de geologia ambiental da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Leandro Cerri afirma que a iniciativa paranaense é interessante, mas como um instrumento de início de trabalhos. Ele exemplifica que as cidades serranas do Rio de Janeiro atingidas pelo temporal que resultou em mais de 800 mortes tinham levantamentos de área de risco. "Mapear é o começo do enfrentamento do problema", diz. Para ele, a tarefa final cabe aos municípios.

O professor do curso de Arqui­tetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná Clóvis Ultramari diz que a etapa de informações detalhadas junto aos municípios será a mais importante no levantamento paranaense. "Se digo que Nova Friburgo [município fluminense atingido pelas chuvas] está entre os mais críticos é uma informação importante, mas tenho que saber dentro de Nova Friburgo quais são estas áreas", completa. Serviço:

Os mapas das áreas de risco no estado estão disponíveis em www.defesacivil.pr.gov.br.

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