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Indicadores sociais

Paraná vai ficar devendo 4 objetivos

Estado só deve cumprir metade dos 8 Objetivos do Milênio propostos pela ONU. Algumas metas atingidas tiveram melhor desempenho no interior

Bolsa Família ajudou Marisete Sehn a criar os filhos. Ela se emancipou e abriu mão do benefício. Cras ainda ajuda com orientações | Christian Rizzi/ Gazeta do Povo
Bolsa Família ajudou Marisete Sehn a criar os filhos. Ela se emancipou e abriu mão do benefício. Cras ainda ajuda com orientações (Foto: Christian Rizzi/ Gazeta do Povo)

O Brasil atingiu antes do previsto dois dos oito Objetivos do Milênio (ODM) propostos pelas Nações Unidas (ONU). Reduziu a pobreza e a mortalidade infantil a níveis abaixo do recomendado, e deve superar outros quatro objetivos dentro do prazo, até o fim de 2015. Porém, dois dificilmente serão alcançados: reverter a propagação da aids e reduzir a mortalidade materna. O país avança de maneira desigual conforme a região. Entre os estados, o Paraná apresenta um desempenho regular e não deve atingir quatro dos oito objetivos.

INFOGRÁFICO: Veja a evolução dos municípios com relação aos objetivos do milênio

Assim como no resultado nacional, o Paraná atingiu antes do prazo o ODM 1. A meta era reduzir pela metade até 2015 a população abaixo da linha da pobreza, tomando como dado inicial o número de paranaense que em 1991 viviam com renda domiciliar per capita inferior a R$ 140. O estado cumpriu 125% da meta. Ainda assim, 749 mil paranaenses vivem em condição de pobreza extrema. O estado também superou o ODM 7, que prevê reduzir pela metade a população sem acesso à água potável e saneamento básico.

O Paraná está no grupo de sete estados brasileiros que conseguiram atingir dois dos oito ODM. Minas Gerais é o mais avançado até agora: já atingiu três, está num bom ritmo para alcançar outro e se conseguir melhorar seu desempenho tem condições de atingir mais dois. O Paraná não deve cumprir quatro dos ODM: garantir que todas as crianças terminem o ensino fundamental, reduzir em três quartos a mortalidade materna, reduzir em dois terços a mortalidade infantil e reverter a propagação da aids.

Penalização

Para a coordenadora do Observatório de Indicadores de Sustentabilidade (Orbis) do Sesi-Paraná, Diva Irene Da Paz Vieira, o estado acabou penalizado pelos bons indicadores sociais que apresentava na data do início da comparação. Caso da redução da mortalidade infantil. Em 1995, a taxa de mortalidade na infância era de 25 no Paraná, enquanto a nacional era de 53,7. O objetivo era retraí-la em dois terços. O país reduziu para 17,7 e o Paraná, para 13,5. Assim, o Brasil atingiu a meta, mas o Paraná não, apesar da taxa menor do que a média nacional.

O Paraná também vai ficar devendo o objetivo da educação. O estado não deve cumprir a meta de garantir que todas as crianças terminem o ensino fundamental. Três entres 10 alunos que entram na escola não concluem essa fase do ensino. O Paraná, assim como o Brasil, também não cumprirá a tarefa de reduzir em três quartos a mortalidade materna e reverter a propagação da aids. Nesse caso, o estado ou o país teria de ficar três anos seguidos sem registrar nenhum novo caso da doença, o que tem sido impossível.

No oitavo ODM, o Paraná tem dado exemplo, embora o objetivo sirva mais para países do que para estados e municípios. No Sesi/Paraná nasceu o Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade (MNCS), dando surgimento ao colegiado "Nós Podemos" em vários estados. Aqui, o colegiado é formado por instituições e organizações que representam o MNCS no estado para mobilizar e articular governos, empresas e comunidades de forma a alcançar os ODM. O Brasil também deve alcançar o oitavo objetivo, em especial pela adoção de políticas públicas como as cotas sociais e o programa Bolsa Família.

Rede reduz a miséria em Pato Bragado

Denise Paro, correspondente em Foz do Iguaçu

Em Pato Bragado, município de 5 mil habitantes às margens do Lago de Itaipu, região Oeste, a oferta de cursos e orientações de profissionais especializados são antídotos contra a fome e a miséria. Em 1991 havia 681 pessoas abaixo da linha de pobreza na cidade. Hoje são 40.

A fórmula está no apoio que vai além do tradicional auxílio com cesta básica e o Bolsa Família. A inserção no mercado de trabalho e as orientações psicossociais personalizadas feitas por psicólogos e assistentes sociais para grupos ou nas casas das famílias fazem a diferença e ajudam na emancipação financeira.

"Quando as pessoas estão frágeis emocionalmente elas não têm nem ânimo para trabalhar", diz a psicóloga e coordenadora do Centro de Referência em Assistência Social (Cras), Andrinea Córdova. As orientações são feitas para sanar problemas de relacionamento e outras dificuldades.

Responsável pelos atendimentos, o Cras oferece cursos de tricô, crochê, pintura em tela, informática e coordena a distribuição de cestas básica, de leite e do Bolsa Família. Enquanto a maior parte dos municípios paranaenses conta apenas com o programa do leite do governo estadual, que contempla crianças de seis a 36 meses, Pato Bragado criou um projeto próprio, distribuindo um litro de leite por semana às famílias com crianças de 3 a 6 anos.

Quando se emancipa, ou seja, consegue emprego, automaticamente a pessoa deixa o programa Bolsa Família ou pede para se retirar do programa do leite e da cesta básica. A equipe do Cras relata a melhora da situação familiar implica na redução constante de queixas junto ao Conselho Tutelar e na escola. Em média são emancipadas quatro famílias ao ano. Outro fator que ajuda no sucesso do atendimento é a participação da comunidade.

O município investe 6% da arrecadação na assistência social. Hoje, 285 famílias são atendidas pelo Cras, 111 delas beneficiárias do Bolsa Família.

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