São Paulo No maior ataque já realizado contra as forças de segurança de São Paulo, a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) provocou a morte de 30 pessoas, feriu gravemente outras 32, bombardeou delegacias, metralhou carros e bases da Polícia Militar e de Guardas Municipais, e ainda promoveu 22 rebeliões em presídios da Grande São Paulo e do interior do estado.
Os atentados e motins começaram sexta-feira, logo após o governo de São Paulo finalizar a transferência de 765 detentos, subordinados aos líderes do PCC, para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (620 km de SP), transformada em uma prisão especial para os membros da facção criminosa. Entre os transferidos está Marcos Willians Herbas Camacho, 38, o Marcola, apontado como o líder do grupo.
Os ataques às forças de segurança, segundo o governador Cláudio Lembo (PFL) e seus secretários Saulo de Castro Abreu Filho (Segurança Pública) e Nagashi Furukawa (Administração Penitenciária), foram represálias às transferências dos 765 presos.
A movimentação dos homens ligados ao comando do PCC começou um dia após os delegados Godofredo Bittencourt e Rui Ferraz Fontes, do Deic (Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado), destacados pelo governo paulista especialmente para investigar a facção, prestarem depoimento à CPI do Tráfico de Armas, em Brasília (DF), e denunciarem, em sessão secreta, novos planos dos criminosos.
Ao lado de outros seis homens da cúpula do PCC, Marcola foi transferido na sexta-feira para a sede do Deic, no Carandiru (zona norte de São Paulo).
Ali, ele conversou muito com o delegado Bittencourt, principalmente à noite, quando os ataques foram intensificados em todo o Estado. Essa transferência de Marcola é um dos motivos para os atentados.
Também em represália às transferências, entre a tarde de sexta e a manhã de ontem, 22 penitenciárias de segurança máxima, localizadas no interior do Estado e na Grande São Paulo, enfrentavam rebeliões. Nas prisões, pelo menos 56 agentes penitenciários eram mantidos reféns por integrantes do PCC até as 14h.
Dos 30 mortos nos atentados, 23 eram membros das forças de segurança do estado (cinco eram policiais civis, 11 eram militares, quatro trabalhavam como carcereiros ou agentes penitenciários e três eram guardas municipais), cinco seriam supostos integrantes da facção envolvidos nos ataques; as outras vítimas eram civis -a namorada de um policial e um cidadão comum.







