Brasília O senador Cristovam Buarque, candidato do PDT à Presidência da República, disse que o programa Bolsa-Família, do governo federal, é eleitoreiro. Ele criticou o que considera modificações no que era originalmente chamado de Bolsa-Escola, criado por ele quando governador do Distrito Federal.
Foi um erro, na avaliação dele, transformar o programa que era um programa de estímulo à educação dos filhos num programa assistencialista. "Virou um programa eleitoreiro, e em vez de permitir que a criança estude, agora só permite que a família sobreviva", afirmou Buarque numa entrevista a jornalistas estrangeiros, ontem, em Brasília.
Buarque disse que, se for eleito, vai garantir que as famílias tenham que provar que os filhos estão freqüentando a escola para receber o benefício. O senador considera que, por causa da amplitude do atual Bolsa-Família, essa exigência deixou na prática de ser cumprida, o que estaria prejudicando o objetivo inicial do projeto.
Com isso, ele estima que os beneficiários diminuiriam dos atuais 11 milhões de família para cerca de 8 milhões, num programa administrado pelo Ministério da Educação. "Os outros 3 milhões seriam atendidos por um programa social", afirma. "A escola é que emancipa a criança. O Bolsa-Família não."
Embora o programa ainda exija oficialmente a comprovação da freqüência à escola, Buarque diz que na prática esta obrigação foi abolida depois que o Bolsa-Família unificou todos os programas de complementação de renda do governo federal.



