Um terço da população idosa brasileira encontra dificuldades para andar nas ruas e calçadas das cidades e um quarto dos que pegam ônibus tem dificuldades com o transporte coletivo. As limitações, encontradas em uma pesquisa de 2007 da Fundação Perseu Abramo em parceria com o Sesc, mostram a necessidade de as cidades se adequarem.
O médico gerontologista Alexandre Kalache afirma que os idosos precisam de ambientes que lhes apoiem e capacitem para compensar as alterações físicas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nos países em desenvolvimento, a proporção de idosos em comunidades urbanas poderá aumentar 16 vezes, passando de cerca de 56 milhões, em 1998, para mais de 908 milhões, em 2050.
Necessidades
Kalache criou o conceito de cidade amiga do idoso, espaço que reúne serviços de saúde, segurança, educação e oferece mais qualidade de vida a todas as faixas etárias. A iniciativa pioneira foi implantada no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, e depois estendida a outras cidades pelo mundo. O gerontologista destaca que cada cidade tem sua particularidade e que a primeira ação para se adaptar é ouvir o idoso.
"A gente tem que perceber que nenhuma cidade é tão atrasada que não tem vantagens e nenhuma tão desenvolvida que não tenha muito a fazer", diz. Para ele, Curitiba é uma cidade com grande potencial para promover essa mudança devido a seu planejamento urbano. A capital paranaense tem 198 mil idosos, o equivalente a 11% da população.
Reivindicações
O Fórum Popular Permanente da Pessoa Idosa de Curitiba e Região Metropolitana tem reivindicado uma série de melhorias na capital e municípios limítrofes, como adequações em prédios governamentais, construção de hospitais geriátricos, mais unidades de saúde do idoso e banheiros públicos adaptados. Também faz parte das demandas a instalação de mais Instituições Públicas de Longa Permanência para Idosos, residências temporárias e Centros Integrados de Convivência e de Cuidados Diurnos.
O secretário dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Curitiba, Irajá de Brito Vaz, afirma que todos os novos projetos desenvolvidos na capital atendem às necessidades e que há esforços para a melhoria da acessibilidade em prédios governamentais, banheiros públicos e calçadas. Com relação ao transporte coletivo, o secretário afirma que 89% dos ônibus são adaptados.



