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Trânsito

Perigo na palma da mão

Médicos lançam campanha para alertar motoristas que mandam mensagens enquanto dirigem: risco de acidentes aumenta até 23 vezes

  • PorMaria Gizele da Silva, da sucursal
  • 29/07/2012 21:05
Ao enviar mensagem, motorista anda de 100 a 120 metros sem nenhuma visão da pista | Josué Teixeira/ Gazeta do Povo
Ao enviar mensagem, motorista anda de 100 a 120 metros sem nenhuma visão da pista| Foto: Josué Teixeira/ Gazeta do Povo

Fiscalização

Mensagem ao volante é desafio maior para se lavrar a autuação

Motoristas do Paraná foram flagrados cerca de 100 mil vezes no ano passado falando ao celular enquanto dirigiam. O uso do celular na direção foi a sétima infração mais cometida segundo o Detran-PR. A nova prática, ainda mais perigosa, é o envio de mensagens. Como é mais difícil para o agente de trânsito ou o policial visualizar a infração, ela torna-se um desafio para a fiscalização.

Das 102.426 infrações de uso de celular registradas em 2011 pelo Detran-PR, 10.930 multas foram aplicadas em Londrina. A cidade é a que tem o maior porcentual de infrações desse tipo entre os municípios de maiores frotas do Paraná, o que representou 8% do total de infrações. No estado, a média foi de 4%. O diretor de Trânsito e Transportes de Londrina, Wilson Santos de Jesus, diz que é preciso aperfeiçoar a ficalização. "Em tese, o motorista, quando passa mensagem, vai estar com a cabeça abaixada e com o aparelho no colo. O policiamento precisa ser feito com motocicleta porque ela permite uma fiscalização lateral entre os veículos e com mais facilidade de visualização."

A voz de uma criança cantando o abecedário com imagens de acidentes graves filmados por câmeras de segurança é o mote de uma campanha lançada no mês passado pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) para lembrar aos motoristas que os riscos de acidentes aumentam em até 23 vezes quando se manda SMS ou se manuseia aparelhos eletrônicos enquanto se dirige. Embora o uso do celular ao volante seja uma infração prevista pelo Código de Trânsito Brasileiro, o abuso de alguns motoristas resulta em muitas tragédias.

Se o veículo estiver a 100 quilômetros por hora e o motorista digitar um torpedo por cerca de seis segundos, ele anda de 100 a 120 metros sem nenhuma visão da pista, segundo o diretor de Comunicação da Abramet, Dirceu Rodrigues Alves Junior. "Ele deixa de ter os 360 graus de visão, contando com os retrovisores, e o veículo pode desviar para os lados, bater em um poste ou bater em outro carro", comenta. Ele acrescenta que esse tipo de acidente é o mais grave porque não existe frenagem. "Não há resposta motora nas pernas ou nas mãos porque o motorista está concentrado no aparelho", diz.

Para as outras causas de acidentes, segundo Junior, já existem leis ou campanhas. "Para o excesso de velocidade, as prefeituras têm colocado aparelhos de limitação; com relação ao álcool já existe a Lei Seca e sobre a fadiga já existem campanhas. Mas, para o uso de tecnologias ao volante ainda precisamos avançar em prevenção", acredita.

O artigo 252 do Código de Trânsito Brasileiro determina que é proibido usar o celular ao volante ou fones conectados a aparelhos sonoros. A infração é passível de pagamento de multa de R$ 85,13 e a inclusão de quatro pontos na carteira de motorista por infração média.

Junior ressalta que todas as novidades tecnológicas devem ser deixadas de lado enquanto se dirige. "Não recomendamos nem o viva-voz, nem o headfone. As pessoas devem desligar o celular enquanto dirigem porque as ligações e as mensagens irão ficar registradas da mesma forma", comenta.

Aplicativo

Para quem tem aparelhos com sistema Android, o Ministério das Cidades lançou o aplicativo "Mãos no volante". O programa permite que, enquanto o motorista dirige, o aparelho não chame e quem liga receba a mensagem "estou dirigindo no momento, ligo mais tarde". O aplicativo pode ser baixado no link http://www.paradapelavida.com.br/maos-no-volante/.

Como as pessoas passam cada vez mais tempo dentro do veículo, porém, é importante se conscientizar dos riscos. Para o pesquisador da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Claudio Márcio Antunes Franco, as pessoas querem ganhar tempo e atender o celular no momento da chamada, ao passo que a sensação de impunidade as fazem manter o hábito.

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