Agentes da Polícia Federal fazem busca na reitoria da UFPR na Operação Research. | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Agentes da Polícia Federal fazem busca na reitoria da UFPR na Operação Research.| Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

Agentes da Polícia Federal (PF) e do Tribunal de Contas da União (TCU) , que junto à Controladoria-Geral da União (CGU) formaram a força-tarefa que executou a Operação Research nesta quarta-feira (15), criticaram a fiscalização da própria Universidade Federal do Paraná (UFPR) no monitoramento de suas contas. Na manhã desta quarta-feira (15), 27 pessoas foram presas suspeitas de participar de um esquema que desviou R$ 7,3 milhões de bolsas de estudo e de pesquisa da UFPR. No total, 73 mandados judiciais foram expedidos nos estados do Paraná, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.

“As grosseiras ilegalidades jamais foram aferidas por qualquer órgão de controle da instituição. Somente foram detectadas posteriormente em auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União”, descreve trecho do processo.

O delegado Felipe Hayashi confirma que a própria UFPR levou a denúncia à Polícia Federal. Entretanto, explica o policial que está à frente da investigação, quando a denúncia foi feita o TCU já estava apurando a irregularidade. “Em nenhum momento, o controle interno da universidade detectou essa fraude. Só a partir daí [da apuração do TCU], ela começou a apurar internamente essas irregularidades”, afirma Hayashi

João Manoel Dionísio, da secretaria de Controle Externo do TCU, afirmou que os mecanismos de controle da UFPR não funcionaram. “Se o controle interno da universidade funcionasse, alguém em algum momento iria se perguntar se aquilo estava correto. Então quando esses controles não funcionam, vamos ter de fazer algum trabalho para melhoria dos sistemas, até para evitar que isso ocorra em outras instituições também”, afirmou Dionísio, que confirmou não ter encontrado nenhum problema semelhante até agora em outras universidades federais.

Em entrevista à Gazeta do Povo no dia 3 de fevereiro, antes da operação policial - o jornal vinha acompanhando as irregularidades desde dezembro -, o reitor Ricardo Marcelo Fonseca admitiu que o controle das contas das bolsas eram insuficientes tanto dentro da própria UFPR, como nos órgãos externos que acompanham as contas da universidade. “Isso tudo é um choque para universidade e acaba mostrando que os sistemas de controle eram insuficientes”, enfatizou o reitor na oportunidade.

Os casos de desvio teriam acontecido entre 2013 e 2016, durante a gestão de Zak Akel Sobrinho, que deu lugar a Fonseca na reitoria no dia 19 de dezembro. Segundo Fonseca, a denúncia à PF foi feita pela própria UFPR durante a gestão de Akel Sobrinho, que abriu sindicância para apurar a denúncia.

O ex-reitor foi citado no processo da PF. Segundo o despacho judicial, Akel teria “responsabilidade na fiscalização da concessão de bolsas”. O ex-reitor presta depoimento à PF na tarde desta quarta. Akel foi procurado pela reportagem, mas disse que iria se inteirar do processo antes e daria retorno à reportagem.

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